segunda-feira, 29 de junho de 2009

NO SÉCULO XXI

Esta aqui veio por courriél.

VOCÊ SABE QUE ESTÁ SE TRANSFORMANDO EM UM LOUCO DO SÉCULO XXI QUANDO:
1. envia e-mail ou MSN para conversar com a pessoa que trabalha na mesa ao lado da sua;
2. usa o celular na garagem de casa para pedir a alguém que o ajude a desembarcar as compras;
3. tendo esquecido o celular em casa (coisa que não existia dez anos atrás), fica apavorado e volta buscá-lo;
4. levanta pela manhã e quase liga o computador antes de tomar o café;
5. conhece o significado de naum, tbm, qdo, xau, msm, dps,...;
6. não sabe o preço de um envelope comum;
7. a maioria das piadas que conhece, recebeu por e-mail (e ainda por cima ri sozinho);
8. fala o nome da firma onde trabalha quando atende ao telefone em tua própria casa (ou até mesmo o celular);
Digita o '0' para telefonar da sua casa;
10. vai ao trabalho quando o dia ainda está clareando e volta para casa quando já escureceu de novo;
11. quando o seu computador pára de funcionar, parece que foi seu coração que parou;
11. está lendo esta lista e está concordando com a cabeça e sorrindo;
12. está concordando e tão interessado na leitura que nem reparou que a lista não tem o número 9;
13. retornou a lista para verificar se é verdade que falta o número 9 e nem viu que tem dois números 11;
14. E AGORA ESTÁ RINDO CONSIGO MESMO;
15. Já está pensando para quem vai enviar esta mensagem;
16. Provavelmente agora vai clicar no botão “Encaminhar”...
É a vida... [fazer o quê!?]... é o que eu fiz também.
Feliz modernidade.
Colaboração: Dario Lemos.


A imagem acima denominada "Vitruviano do Século XXI" veio do blog de Clarrissa Yemisi.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A GUERRA DAS MALVINAS

Abril de 1982. Emergiam [das profundezas de um emaranhado financeiro imponderável] os efeitos de uma crise econômica que tomou conta de toda a América Latina. A Argentina, como não poderia deixar de ser, também estava mergulhada até o pescoço na confusão financeira, e o governo, constituído por uma junta militar, tentava melhorar a sua popularidade. Assim resolveram pôr em prática o Plano Goa que tratava da recuperação das ilhas Malvinas ou Falklands, em poder dos ingleses desde 1833.

O histórico dessas ilhas é complicado e, até hoje, eu penso que é difícil afirmar que essas ilhas pertençam, por direito, a ingleses ou argentinos, pois se conta que já em 1764 o francês Louis Antoine de Bouganville, oficial, navegador e escritor, andou por lá e fundou uma base naval em Port Louis (Malvinas Orientais). No ano seguinte, em 1765, é que chegaram os britânicos, e John Byron estabeleceu uma base em Egmont (Malvinas Ocidentais). Em 1766 a França vendeu à Espanha a sua base no lado oriental e os espanhóis entraram em estado de guerra com os ingleses que estavam do outro lado, mas depois concordaram com a divisão. Cinquenta e quatro anos depois, em 1820, a Argentina [que se tornara independente da Espanha em 1810], aproveitou-se da proximidade das ilhas e resolveu instalar ali uma colônia penal e, complementando, em 1829 nomeou um governador para dar continuidade à colonização do lugar. Em 1833 os ingleses invadiram e tomaram a parte que estava em poder dos argentinos, mas estes nunca desistiram da posse das ilhas, pois elas ficavam logo ali, nas adjacências do seu território continental.

Às 04:30 horas do dia 02 de abril de 1982, 150 homens de uma unidade de elite de fuzileiros argentinos, desembarcaram em Port Stanley, a capital do arquipélago. O objetivo era prender o governador e declarar a posse das ilhas. Um destacamento britânico que contava com 68 fuzileiros defendeu, o quanto pode, a área em torno da sede do governo. Duas horas mais tarde o local foi tomado pelo exército argentino que já se fazia presente com cerca de 2800 combatentes espalhados por lá.
Margareth Thatcher, a Primeira Ministra da Grã-Bretanha, reagiu com energia, vendo aí a possibilidade de driblar os problemas internos que corroíam o país e, consequentemente o seu governo. Designou, imediatamente, uma força-tarefa para buscar a recuperação das “suas” Ilhas Falklands, no extremo sul do hemisfério sul.

A Rede Globo de Televisão, nesse meio-tempo, enviou 46 profissionais à Argentina para cobrir os acontecimentos, porém desses, somente Hermano Henning e Francisco José [que substituiu o primeiro] chegaram mais perto da zona do conflito, em Comodoro Rivadávia, a 700 Km de distância. A RBS, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul, também mandou representante para essa área avançada. Era a jornalista Heidy Gerhard que transmitia seus boletins, via telefone, todos os dias às 13:00 horas pelo jornal regional da RBS TV.

Uma [real e histórica] caricatura do império britânico, segundo uma fonte argentina.

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As ilhas Geórgia do Sul foram retomadas em 25 de abril por forças especiais chamadas SAS (Special Air Service) e SBS (Special Boat Squadron), apoiados por navios da Royal Navy. E a partir de 1º de maio, quando a Grã-Bretanha já contava com todo o seu poder de fogo, o ataque às ilhas se intensificou, culminando, em 02 de maio, com o afundamento do cruzador General Belgrano, atingido por dois torpedos Mk8 do submarino inglês Conqueror. Trezentos e sessenta e oito tripulantes do cruzador pereceram.
A resposta argentina não tardou. Aviões Super Etendart lançaram seus mísseis Exocet [franceses] e afundaram o destróier HMS Sheffield, o que passou a idéia [para quem acompanhava de longe] que a guerra estava equilibrada. Dias depois as fragatas HMS Ardent e HMS Antelope também foram afundadas, mas custaram caro: 5 caças Skyhawk; 4 caças Dagger.
Os ingleses que já tinham desembarcado 4000 homens na Baía de San Carlos, a 105 km de Port Stanley, e mais de 1000 toneladas de equipamentos, avançaram para o interior das Malvinas e tomaram Groose Green, em 29 de maio, e Port Darwin.
Cercados em Port Stanley, os argentinos lutaram até os primeiros dias de junho. No décimo quarto dia, já sem qualquer ato hostil por parte dos fuzileiros argentinos, os ingleses, vitoriosos, entraram nas ruas de Port Stanley. No dia 15 de junho foi confirmada a rendição oficial das tropas argentinas.
A consequência da derrota na Argentina foi o enfraquecimento irremediável do governo militar do general Leopoldo Galtieri, e dois dias depois da rendição ele foi obrigado a renunciar. Em 1983 o povo argentino foi às urnas e elegeu Raul Alfonsín como seu presidente, o qual, de imediato, implantou uma reforma nas Forças Armadas. Os oficiais militares responsáveis pela intervenção nas Malvinas foram alvo de processos judiciais.
Na Grã-Bretanha o governo de Margareth Thatcher, fortalecido pela vitória e [agora] o apoio da opinião pública, teve fraca oposição à sua reeleição que ocorreu ainda no ano de 1982.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

MEU TIME, O UNIÃO

Eu tinha 14 anos quando descobri, por mim mesmo, que estava apto para jogar futebol, na categoria infanto-juvenil, em quaisquer dos dois clubes profissionais da cidade de Bagé, RS. Escolhi o Guarany FC porque tinha um compromisso sentimental com o clube e também porque um colega [Roberto Zaballa, o Betinho] que não era da minha aula, mas era do mesmo colégio, e que era o maior craque (não confundir com estas drogas que andam por aí) da chamada escolinha de futebol do clube me disse:“- Aparece lá! Os treinos são na quarta e na sexta-feira, mais ou menos, às 5 da tarde”.
Fui, digo, o meu pai me levou- no primeiro dia- e me apresentou ao treinador, o seu Pedro Pereira. Treinei no ataque do time reserva e o técnico, me disse para voltar na sexta-feira. Voltei e me apresentei melhor ainda. A chuteira ainda era o velho Kichute, apropriado para jogos em campos bem menores, mas que ficava “devendo” para um campo de dimensões oficiais e uma bola de tamanho e peso também oficiais, que às vezes ficava maior e mais pesada por causa da chuva que encharcava e expandia o seu couro.
Com dois dias de treino, somente, não fui convocado para o clássico Ba-Guá (Bagé x Guarany) da categoria, no domingo, no campo do GE Bagé (vitória do Guarany por 1 x 0). Por outro lado, na semana seguinte, virei titular do time para nunca mais sair.


Mas não era esta a história [cuja sequência vai ficar para outra oportunidade] que eu queria contar agora. O retrospecto é de antes, um pouco antes, quando o tal Kichute apareceu e quando o nosso bairro tinha cinco “campinhos” de futebol, cada um "pertencente" a turmas diferentes, separadas estas por afinidade, por vizinhança ou ambas. Os tais campinhos eram demarcados conforme a disponibilidade de espaço plano que apresentavam os terrenos. Eu ajudei a limpar [arrancando chircas e outras ervas daninhas] e marcar [com enxada] as linhas do campinho que tinha na frente da nossa casa.
Com base nas dimensões dos campos, de tamanhos bem semelhantes, apesar de nunca terem sido medidos nem projetados previamente, os times eram montados com, no máximo, seis para cada lado. Não era futebol-de-sete, mas também não era futebol-de-quadra, ou de salão, ou futsal, como hoje se diz. Ficava entre estas duas modalidades sem ser nenhuma delas. E a bola podia ser qualquer uma: de couro nºs 5, 4 ou 3 (nºs 2 e 1 não, porque eram muito pequenas); de plástico, do tipo Rivelino ou Tostão, da Trol, porque tinham tamanho e peso oficiais; de plástico furadas, meio-vazias e endurecidas (de tão velhas), mas que eram as melhores de se jogar.
Com o tempo alguns times de guris [com idades entre 11 e 15 anos] se formaram, e jogos entre equipes cada vez mais organizadas foram acontecendo, até que alguém inventou um campeonato entre essas equipes. Aguçaram-se as rivalidades, mas só dentro do campo.
Eu joguei pelo União, um time formado por uma meninada que morava numa parte mais alta do bairro. Dava para enxergar o campo deles lá da minha casa e, de vez em quando- ainda antes de conhecê-los- eu ia ver eles jogarem.
Num sábado à tarde, ao acaso, passei por ali e parei para olhar um jogo. Eles estavam perdendo por 4 x 0 para o Flamengo, um time formado por uns caras que eu já conhecia. Apesar do esforço e da valentia, os “heróis” do União não estavam conseguindo nem chegar perto do gol adversário. Cansado, um deles me perguntou se eu queria substituí-lo. Mesmo sem estar apropriadamente fardado, entrei no jogo. Em dez minutos marquei quatro gols, empatando um jogo que parecia perdido. Desesperados, os jogadores do tal Flamengo aproveitaram a chegada do meu amigo Dario- que estivera na minha casa à minha procura e soubera, pelos meus pais, que eu estava lá no campo do União- e chamaram ele para o jogo. Alto e exímio cabeceador, o Dario, que se intitulava Dadá [em alusão ao goleador Dadá Maravilha, este no auge da sua forma] desequilibrou a balança. No último lance do jogo aproveitando uma cobrança de escanteio, subiu e cabeceou forte para baixo, como manda o figurino, e para o fundo das redes, marcando o gol da vitória do time dele, o Flamengo.
Para minha surpresa os meus novos amigos não ficaram tristes por terem perdido o jogo. Mostraram-se até satisfeitos porque tinham saído de um 0 x 4 para um 4 x 4 e no final, mas somente no final, numa infelicidade momentânea de todo o time, tinham tomado um gol que lhes causara a derrota.
Os quatro gols que eu marquei em poucos minutos “assanharam” o João, que era considerado pelos outros como o presidente do time, e ele disse que queria me “contratar”. Sensibilizado pelo reconhecimento e pela consideração que aqueles caras que eu nem conhecia direito estavam tendo por mim naquela oportunidade, ao contrário de outros [que eu já conhecia e com os quais mantinha relações de amizade] que nunca me convidaram para jogar em time nenhum, aceitei de imediato e passei, dali em diante, a lutar como um leão, juntamente com os meus amigos, os gêmeos Adauto & Bastião (que era o goleiro), o João, o Paulo e o Tatu, pelas cores do União, um time formado por verdadeiros guerreiros.
Assim eu conheci aquela turma de amigos dos quais até hoje tenho boas recordações.

Umas observações: a camisa do time, era idêntica à do Fluminense FC, do Rio de Janeiro; para o resto do fardamento não havia regras, ou seja, o calção era de qualquer cor e a meia, idem; a “chuteira oficial” era o Kichute, é lógico.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O CANAL ALBERTO

1939, 30 de julho. Durante a Exposição Internacional da Água, em Liège, na Bélgica, foi inaugurado o Canal Alberto, com 130 Km de extensão, ligando o porto de Liège, sobre o rio Mosa, ao porto de Antuérpia, no estuário do rio l'Escalt que dá para o Mar do Norte.
Canal Alberto- localização
O canal tem seis comportas para compensar a diferença de 56 metros [de altura] entre Liège e Antuérpia, e foi construído para permitir a passagem de navios com até 2000 toneladas. Essa capacidade foi ampliada, em 1997, para 9000 toneladas. O tráfego anual é de 40 milhões de toneladas.
Canal Alberto, em Liège- imagem de satélite

sexta-feira, 12 de junho de 2009

CRUISIN'

Ouvi dizer que o filme Duets (Vem Cantar Comigo, na versão brasileira), lançado em 2000, onde Gwyneth Paltrow atua, dirigida pelo próprio pai (Bruce Paltrow), é ruim. Gwyneth, todavia, é maravilhosa, assim como a sua performance neste clip aí [que é do tal filme].

Cruisin', com Smokey Robinson, "estourou" na trilha sonora da novela Água Viva, da Rede Globo, lá em 1980, e ajudou a aquecer muitos corações românticos e apaixonados nas cenas dos personagens Janete e Marcos Mesquita, muito bem interpretadas por Lucélia Santos e Fábio Júnior, ambos no auge da carreira. Quem, há muito tempo, vê [e gosta de] novela deve lembrar deste casal apaixonado, especialmente hoje que é Dia dos Namorados.

terça-feira, 9 de junho de 2009

BEM ANTES DA COPA



Peguei a febre. Falta um ano para a Copa do Mundo de 2010 e as postagens sobre futebol estão cada vez mais frequentes por aqui.
Até o jogo de estréia [do Brasil] e, talvez até o segundo ou terceiro jogo, certamente algumas trocas de jogadores vão ser feitas. Confio no Dunga e ainda não confio no time que está em fase de ajustes, mas está num bom caminho.

Eu espero que o [Diego Armando] Maradona não leia isto aqui até o encerramento das inscrições dos jogadores para Copa, porque algo me diz que se ele imitar (isto mesmo!), repito, imitar a atitude do Brasil na Copa de 1994, tem grande chance de chegar à final. Ganhar, são outros quinhentos, e "depende dos deuses do futebol”- como diriam vários cronistas esportivos brasileiros, por aí. Minha teoria tem origem na fase não muito regular que atravessa o futebol argentino, mas que é capaz de se recuperar muito rapidamente porque de lá- assim como daqui do Brasil- saem os melhores jogadores de futebol do mundo. Se o período não é tão bom, agregar força, resistência e espírito guerreiro à qualidade técnica fará muito bem à seleção argentina. Uma parte da receita está aqui, bem pertinho, chama-se Guiñazu e joga no SC Internacional de Porto Alegre. Comparo o Guiñazu ao próprio Dunga, capitão da nossa seleção em 1994. A ressalva é que o Dunga tinha uma técnica mais apurada. Para completar a receita, o argentino Messi, do Barcelona, seria uma espécie de Romário. É possível que estes dois, juntos e entrosados, possam causar “um estrago” considerável na Copa da África do Sul.

E já que eu me referi à Copa do Mundo, vem aí a
tal Copa das Confederações. Penso que o Brasil não deveria participar- sei que vai, mas não deveria- porque, desde já, estará mostrando aos seus futuros adversários todas as “armas” que tem, ou que não tem. A Copa das Confederações na Alemanha, em 2005, para mim, serviu de parâmetro: vitória do Brasil, com grande festa; pinta de favorito para a Copa do Mundo, no ano seguinte; inexplicável queda de rendimento e eliminação nas quartas-de-final.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

GAUCHÃO, 1980- CHARGE

A única chance que nós tínhamos de ganhar alguma coisa, lá por 1980, era o Gauchão, pois eu nem imaginava que um ano depois veria o Grêmio ser campeão brasileiro pela primeira vez. Antes disso, quem já estava acostumado a ganhar títulos nacionais era o Internacional, porque a máquina tricolor, apesar de fazer ótimas campanhas nas fases classificatórias, entregava os pontos faltando muito pouco para chegar à etapa final. Assim, restava-me criar charges análogas às publicadas na seção de esportes da Folha da Tarde, na década de 1960, que mostravam numa fila, em ordem descrescente, os representantes de cada clube, querendo dar ênfase à classificação do campeonato gaúcho. Por exemplo: o Grêmio era um mosqueteiro; o Internacional era o Saci; o Guarany de Bagé era um cacique; o Pelotas era um lobo ou um almofadinha vestido de fraque e cartola; o Aimoré também era um cacique; o Brasil era um índio Xavante; o Farroupilha era um fantasma; o Bagé era uma abelha graúda; o Gaúcho era um gaúcho mesmo; e assim por diante. O Juventude, o Flamengo (atual SER Caxias) e o Floriano (atual EC Novo Hamburgo) eu não lembro como eram. Só sei que o último lugar vinha com a lanterna na mão.
Abaixo, uma tímida amostragem de uma das minhas antigas manifestações como torcedor do Grêmio. Eufórico pela conquista do título gaúcho em 1980, depois de acompanhar a vitória gremista no hexagonal final, não resisti, rabisquei isto aí numa folha de caderno e mandei [pelo correio] para o meu pai.

Da esquerda para a direita: o Juventude, o Internacional de Santa Maria, o São Borja, o Novo Hamburgo, o Grêmio (mais alto no podium) e o Internacional de Porto Alegre.
Observações: o desenho original foi feito a lápis e não era colorido como aí aparece; me esqueci e desenhei os Sacis, tanto o do Internacional de Porto Alegre, quanto o do Internacional de Santa Maria (o primo pobre), com as duas pernas, sem a touca vermelha e sem o cachimbo, mas já os vi [em outras vesões] também sem touca e sem cachimbo.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

BRASIL– UM MINUTO DE SILÊNCIO

Em comemoração ao primeiro aniversário deste blog , "nascido" em 05 de junho de 2008, reproduzo uma estória, baseada em fatos p'ra lá de reais, que escrevi para a revista eletrônica Cerrado Cultural, uma revista literária virtual luso-brasileira, em 2008.
Não é ano de Copa do Mundo, mas os brasileiros estão assanhados com os preparativos, não da Copa de 2010, que é na África do Sul, mas da Copa de 2014, que é aqui. Assim, voltemos no tempo, ao encontro do IV Campeonato Mundial de Futebol, o que foi realizado no Brasil; voltemos a "viver" a vida de João Cândido, o personagem real dessa... estória? (ou será história?) naqueles dias de Copa do Mundo, em 1950.

BRASIL – UM MINUTO DE SILÊNCIO

João Cândido era um apaixonado por futebol. Tinha o hábito de escrever para os colunistas das seções de esportes dos jornais da capital e sentia-se muito satisfeito quando um de seus questionamentos ou opiniões caía no gosto do responsável pelas matérias, o que culminava com a publicação do seu texto, na íntegra, e com o seu nome no rodapé. Ficava mais feliz ainda quando outro leitor, ofendido por um ataque eventual a determinado clube ou jogador de futebol, transformava-se em antagonista e respondia, raivoso, a quaisquer das suas cartas, principiando, daí em diante, um debate que se estendia por algumas semanas. Mas isto tudo ele só fazia nas horas vagas. A maior parte do seu tempo era dedicado à Companhia de Trens, empresa pública onde trabalhava como telegrafista. Não cogitava, todavia, jogar futebol na várzea com os colegas de serviço. Esquivava-se, dizendo que tinha uma lesão crônica no joelho, oriunda de jornadas passadas. A verdade é que ele nem sabia chutar direito. Na adolescência ganhara o apelido de “pé-de-tábua” porque só conseguia impulsionar a bola com o lado do pé, e muito mal. Com vergonha das suas limitações técnicas, fugia da prática do futebol como o diabo foge da cruz.

A Copa do Mundo de 1950, que estava sendo realizada no Brasil, era o principal assunto nos bares e cafés do centro da cidade, distante uns 380 quilômetros da capital. João que estava sempre atento às notícias publicadas nos jornais e no rádio, entusiasmava-se quando era solicitado a esclarecer dúvidas ou explicar alguma coisa aos amigos a respeito das seleções envolvidas na competição, os resultados dos jogos e suas conseqüências mais imediatas.

A seleção brasileira, embalada depois de um quatro a zero no México, na abertura da Copa, no Maracanã, foi até a cidade de São Paulo enfrentar a Suíça, no estádio do Pacaembu. O resultado desse jogo já não foi tão bom. Um empate em dois a dois deixou a torcida brasileira - incluindo aí o “seu” João - muito preocupada. Mas o jogo contra a seleção da Iugoslávia, uns dias depois, no estádio do Maracanã, serviu para devolver a confiança ao time e ao povo brasileiro. Uma vitória por dois a zero classificou o Brasil para a próxima etapa do torneio.

Fanático pelo selecionado brasileiro, João Cândido tentava enquadrar os seus dias, ou as suas horas, de folga aos horários dos jogos do Brasil, com o objetivo de poder acompanhá-los em casa, pelas ondas curtas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, já que na repartição onde trabalhava não era permitido esse tipo de regalia. E assim ficou sabendo que as quatro seleções que se classificaram para a fase final jogariam um quadrangular, o que correspondia a três jogos para cada equipe. O escrete que fizesse o maior número de pontos, dentre os quatro, seria declarado campeão.

Os jogos do Brasil, pela ordem, seriam contra a Suécia, a Espanha e o Uruguai. Era só isto o que interessava. Os arrasadores escores obtidos contra os dois primeiros adversários, sete a um, seguido de um seis a um, com direito a gritos de “olé!” por parte da torcida brasileira no Maracanã, creditaram ao Brasil todo o favoritismo e, ao mesmo tempo, aliviaram a tensão do, cada vez mais feliz, telegrafista. O Uruguai também ganhara da Suécia, mas o empate com a Espanha tirava as suas chances de atrapalhar o Brasil. Bastava então aos brasileiros um simples empate contra o próprio Uruguai.

Muitos anos depois, João Cândido afirmou que na tarde de domingo, 16 de Julho, nem se preocupou em sintonizar o rádio. Lembrou ter visto que o cartaz do cine Avenida, no dia anterior ao jogo, anunciava para as quatro e quinze da tarde de domingo a reprise da comédia “Às Voltas com Fantasmas”, com Abbott e Costello. Foi ao cinema, tranqüilo. Um pouco antes de iniciar a sessão, já dentro da casa de espetáculos, ouviu muitos foguetes a pipocar. Suspirou aliviado e concentrou-se no filme. Provavelmente as demais, onze ou doze, pessoas que se encontravam no local, também fizeram o mesmo. Na saída, sob a tênue luz natural do sol poente, encontrou a rua vazia e silenciosa. Nem foguetes, nem carros, nem gente festejando. Disse ainda que durante, pelo menos, um minuto não compreendeu o que estava acontecendo, e revelou a seguir, com lágrimas nos olhos:

- É como se o tempo tivesse parado e levado todo mundo embora, só esqueceu da gente porque estávamos dentro do cinema.

O povo da pequena cidade onde o “seu” João residia, até hoje diz que o tradicional “um minuto de silêncio”, destinado a homenagens póstumas e adotado pelos árbitros antes do início de todas as partidas oficiais de futebol no Brasil, tem sua origem nesse relato de João Cândido.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

ACADEMIA DE FUTEBOL


De pé: Jair Gonçalves, Leão, Luís Pereira, Alfredo, Dudu e Zeca; agachados: Edu, Leivinha, Ronaldo, Ademir da Guia e Nei.

Na foto acima, uma das formações da Sociedade Esportiva Palmeiras, em 1974. Este time aí foi campeão paulista naquela oportunidade. No mesmo ano, credenciado para ser tri-campeão brasileiro, pois vinha de dois títulos consecutivos [obtidos em 1972 e 1973], teve uma participação p'ra lá de discreta, classificando-se [na sua chave] em 12º lugar, só conseguindo vaga para a segunda fase na "repescagem". E na segunda fase, onde só passava o primeiro lugar de cada grupo, ficou em segundo, dois pontos atrás do Cruzeiro.
O último título de fundamento da chamada Academia [de Futebol] do Parque [Antártica] foi o campeonato paulista de 1976. No ano seguinte, Ademir da Guia, o grande maestro do time e [meu] maior ídolo [em todos os tempos], encerrou a sua carreira e, coincidência ou não, o Palmeiras ficou 17 anos sem ganhar mais nada. Só em 1993... [mas isso é outra história!]

Leivinha- indiscutível craque e goleador da SE Palmeiras
Posted by Picasa

terça-feira, 2 de junho de 2009

FUGINDO DO PARQUE [SEM OLHAR PARA TRÁS]

1989, 29 (se não me engano) de janeiro. Ao entardecer [mais ou menos 19:30 h, hora local] desse dia a ruta 9, nas proximidades do Parque Santa Teresa [província de Rocha, Uruguay] estava abarrotada de automóveis, acampantes e todos os seus apetrechos. As pessoas aguardavam autorização do SE.PA.E. (Servicio de Parques del Ejército) para retornar ao parque, que ainda se encontrava sob a ação de um incêndio que se iniciara horas antes [perto das 14:00 horas, hora local]. Uma chuva torrencial [entre às 17:00 e 18:00 horas, também hora local] serviu para amenizar os efeitos do fogo que, mesmo assim, não apagou. Este pessoal que está aí esperando para entrar no parque, teve que voltar para casa.
Nós resolvemos não apostar na liberação do parque e, como já tínhamos aproveitado os melhores dias do mês de janeiro, não ficamos para ver o final da história. O chevette azul [que aparece aí, logo à frente], abarrotado, e o fusca verde [do fotógrafo da vez], também abarrotado, seguiram imediatamente para o Chuy/Chuí, e de lá direto para casa.

No dia anterior o nublado do céu já dava a entender que ia ter chuva, mas ninguém imaginava que essa serviria para aliviar os efeitos do incêndio supracitado, o qual, ouvi dizer, teve origem com a explosão de, pelo menos, um botijão de gás em um acampamento na Playa del Barco, uns poucos quilômetros adiante de onde nós estávamos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

UMA "VIAGEM" PARA REFLETIR

Uma aula muito monótona [no colégio ou na faculdade] é capaz de inspirar "vôos" monumentais dos alunos. O resultado pode vir em forma de anotações diversas, na maior parte das vezes, escritas na última folha de um caderno qualquer, de uma disciplina qualquer. Muitos anos depois o(a) "escritor/escritora" [ou um terceiro] encontra, ao acaso, o produto da "viagem".

Abaixo, um exemplo do que aconteceu comigo há muito tempo.


Cuentan de un sabio que un día

tan pobre y mísero estaba
que sólo se sustentaba
de unas hierbas que cogía.
¿Habrá otro, entre sí decía,
más pobre y mísero que yo?
Y cuando el rostro volvió
halló la respuesta, viendo
que otro sabio iba cogiendo
las hierbas que él arrojó.


Quejoso de la fortuna
yo en este mundo vivía
y cuando entre mí decía:
¿Habrá otra persona alguna
de suerte mas inoportuna?
Piadoso me has respondido,
pues, volviendo a mi sentido
hallo que las penas mías
para hacerlas tú alegrías
las hubieras recogido.


Fragmento da obra teatral do dramaturgo e poeta Pedro Calderón de la Barca, La Vida Es Sueño, concebida durante a primeira metade do século XVII.

EL TREN ELECTRICO

Um velho conhecido meu sempre diz: "Chiste que é chiste tem que ser em espanhol". Então quando ele manda alguma coisa desse tipo, o texto é obrigatoriamente em espanhol, como aparece abaixo.



Una madre estaba trabajando en la cocina mientras escuchaba jugar a su hijo en la sala con su tren eléctrico nuevo.
Escucha que el tren se detiene y su hijo dice:

- "A Todos los hijos de puta que quieran bajarse, háganlo ahora porque esta es la ultima parada!;
Y todos los hijos de puta que van de regreso y se quieran montar, metan sus culos dentro del tren ahora porque vamos a partir ya!!".

La madre entró a la sala y le dijo a su hijo:´

- "Nosotros no usamos esa clase de vocabulario en esta casa. Ahora ve a tu cuarto y te quedas allí durante DOS HORAS. Cuando salgas, puedes regresar a jugar con tu tren, por supuesto usando un vocabulario agradable y decente!."

Dos horas mas tarde, el niño sale de su cuarto y comienza a jugar de nuevo con su tren. Pronto el tren se detiene y la madre escucha a su hijo decir:

- "Todos los pasajeros que vayan a desembarcar del tren, por favor recuerden llevarse todos sus objetos personales consigo. Les agradecemos haber viajado con nosotros el día de hoy y esperamos que el viaje haya sido placentero. Esperamos que viajen de nuevo con nosotros en una próxima oportunidad".
Luego, el niño prosigue:

- "Para aquellos que estén embarcando, les pedimos que coloquen todas sus cosas debajo de sus asientos. Recuerden que está prohibido fumar dentro del tren. Esperamos que tengan un viaje relajado y placentero con nosotros el día de hoy".
Entonces, el niño agrega:

- "Ah, Y para aquellos que estén cabreados por la demora de DOS HORAS, reclámenle a la puta esa que está en la cocina!".


Colaboração: Werner Beck

O BOM, O MAU E O FEIO

Três bandoleiros ajudam-se e, ao mesmo tempo, enganam-se mutuamente, tentando se apossar de uma fortuna de dólares em ouro, durante a Guerra Civil Americana. É que um bandido chamado Tuco- O Feio- (Eli Wallach) fica sabendo de algo sobre um grande tesouro enterrado em um cemitério, só que não sabe em qual túmulo. Quem sabe é "Blondie"- O Bom- (Clint Eastwood), um antigo conhecido [e inimigo] seu. Então, Tuco tem de se aliar a "Blondie" para chegar ao dinheiro. Porém eles não são os únicos que sabem da existência do tesouro. Outro cara, um violento oficial do exército, chamado "Olhos de Anjo"- o Mau- (Lee Van Cleef), também está atrás dele. E nenhum desses hábeis pistoleiros pensa em desistir do que é "seu".


Esse é o terceiro filme da série dirigida por Sergio Leone que teve Clint Eastwood no papel principal. Os outros dois foram Por um Punhado de Dólares, em 1964 e Por uns Dólares a Mais, em 1965.



A trilha sonora é de Ennio Morricone. O título no Brasil é O Bom, o Mau e o Feio, do original italiano Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo. O filme, lançado em 1966, dura em torno de 160 minutos e, para quem gosta de western do tipo spaghetti, eu recomendo, com pipoca e com [ou sem] companhia.


Site Oficial: O BOM, O MAU E O FEIO