terça-feira, 28 de julho de 2009

"O BRASIL NÃO É UM PAÍS SÉRIO"


Charles de Gaulle estava certo, se é que foi ele quem pronunciou a célebre frase que dá título a esta postagem, pois há controvérsias.
Até acredito que uma boa parte dos habitantes desta terra tenta fazer do Brasil um país decente, mas desconfio que os acostumados a burlar as leis e os princípios que regem a boa educação, aqueles que querem levar vantagem em tudo, representam a maioria, e os maus exemplos, inseridos em toda a sociedade, parecem ter mais força de arrastar mais gente para o seu lado, do que têm os bons exemplos a capacidade de influenciarem os mais jovens, principalmente. A explicação é simples e está na ponta da língua de todo mundo: É mais fácil não obedecer regra nenhuma; é mais fácil não fazer força para se obter tudo, ou quase tudo, o que se queira por aqui, bastando pedir na rua, roubar ou assaltar; é mais fácil pensar num meio de passar os outros para trás do que imaginar uma forma de ganhar o pão de cada dia com honestidade; é mais fácil burlar todas as normas da boa conduta, do que tentar segui-las à risca. E tudo isto é mais fácil porque quem está lá em cima, governando, legislando e ajuizando também não quer seguir a "cartilha" e prefere, por isto, ficar debruçado sobre um código de leis, no mínimo, arcaico que, no fim das contas, facilita a vida do bandido e complica a do mocinho.
O dito popular que diz, "o que não tem remédio, remediado está", nem deveria estar aparecendo aqui porque não é assim que deve ser neste caso, mas ser [e estar] sério o tempo todo dá úlcera, então vamos voltar à frase do Otto... (Êpa, esta é uma outra história!), digo, à frase que disseram que é do De Gaulle. Pois eu acho que ela não é do De Gaulle coisa nenhuma. "O Brasil não é um país sério" foi pronunciada por um brasileiro. E ele era o Embaixador Carlos Alves de Souza, que serviu em Paris entre 1956 e 1964. Durante o conflito pesqueiro entre o Brasil e a França, conhecido como "Guerra da Lagosta", em 1962, o embaixador foi chamado pelo Presidente Charles De Gaulle para discutir o problema. Carlos Alves de Souza saiu da reunião convencido de que a França estava com a razão. Horas mais tarde, ao ser entrevistado por um jornalista brasileiro, expressou seu descontentamento com a famosa frase. E como "quem conta um conto, aumenta um ponto", como diz outro adágio popular, por aqui espalhou-se o boato que a tal frase tinha sido dita por De Gaulle, mito que permanece até hoje.

Um comentário:

Elisandro Borges disse...

Que show de blog. Muito conteúdo bom. Senso crítico apurado!