sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O TRIÂNGULO ROSA

Triângulo Rosa: um homossexual no campo de concentração nazista
Jean-Luc Schwab e Rudolf Brazda, Ed. Mescla Editorial.

Por Tiago Elídio

Embora os judeus sejam os mais lembrados quando se fala nas vítimas da barbárie nazista, não se pode esquecer que outros grupos também foram perseguidos e assassinados pelo regime de Hitler, como os homossexuais. Este livro conta um pouco mais sobre essa parte da história, oculta por tanto tempo. Ao contrário dos judeus, que, logo após o fim da guerra, puderam relatar abertamente o que havia se passado com eles durante esse período, os homossexuais tiveram de se calar, pois as leis homofóbicas continuavam em vigor. Eles, portanto, não podiam expor suas histórias. Somente quando essas leis foram revogadas, muitos anos depois, eles enfim deram seu testemunho. Rudolf Brazda, nascido na Alemanha, filho de pais tchecos, foi um dos últimos sobreviventes homossexuais a relatar a perseguição pelos nazistas e sua deportação a um campo de concentração. Seu confidente foi Jean-Luc Schwab, que tomou seu depoimento e o complementou com uma profunda pesquisa histórica, redigindo um importante livro que traz à tona informações pouco conhecidas sobre o período. Com a ascensão dos nazistas ao poder, a vigilância social se intensificou muito com relação aos homossexuais, pois, no código penal alemão, desde 1871, o parágrafo 175 condenava atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Assim, durante o regime totalitarista, cerca de 100 mil homossexuais foram fichados. Destes aproximadamente 10 mil foram enviados aos campos de concentração. Entre eles, Brazda, que em 8 de agosto de 1942 foi mandado a Buchenwald, onde portou o malfadado triângulo rosa em seu uniforme de detento. O livro oferece, dessa forma, um panorama da vida de Brazda e do contexto histórico no qual estava inserido, evidenciando a questão pouco documentada da deportação por homossexualidade. Como diz Schwab em seu epílogo, “deve-se continuar alerta, lutar e avançar”, pois, afinal, as perseguições aos homossexuais ainda continuam. Dessa forma, é muito importante que esse passado seja rememorado.

Tiago Elídio - Mestre em Teoria e História Literária pela Unicamp, pesquisou e traduziu o livro Eu, Pierre Seel, deportado homossexual (Cassará, 2012).

Fonte: http://www.diplomatique.org.br

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