quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

COLORADO E. C. - A SEGUNDA FORÇA

1974. Segundo algumas fontes, o campeonato paranaense disputado em três turnos seria um artifício para dificultar o tetracampeonato do Coritiba FC.
Apesar da desconfiança de muitos, o Coxa chegou na frente nos três turnos, assim distintos:
Numa primeira fase, os onze participantes se enfrentaram em turno e returno - 20 jogos para cada equipe. O Coritiba FC, somando-se os pontos do 1º e 2º turnos fez 32 pontos, contra 29 pontos do Colorado EC.
Os sete melhores se habilitaram para a segunda fase, onde 6 jogos em um turno único de pontos corridos definiram o campeão.
Na fase quente, de novo o alvi-verde foi melhor, obtendo 10 pontos; o Atlético e o Colorado fizeram 9 pontos. No somatório geral deu: Coritiba, 42 pontos; Colorado, 38 pontos; Atlético, 36 pontos. Em função do resultado geral justificou-se a manchete [abaixo] no álbum da revista Placar daquele ano.


O Colorado Esporte Clube - que alguns anos depois se uniria ao Esporte Clube Pinheiros para formar o Paraná Clube - não levou o título, mas seu craque, Volnei, foi o artilheiro da competição, com 14 gols.
Volnei

Imagens Enciclopédia do Futebol - revista Placar, 1974.











terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O GOL MAIS RÁPIDO

1977, 14 de agosto. GRE-NAL nº 233, disputado no Estádio Olímpico e válido pelo Campeonato Gaúcho, foi vencido pelo Grêmio. Esse confronto entre Grêmio e Internacional se destaca por ter sido [até agora] o do gol mais rápido da história do clássico.

Júlio Titow, muito mais conhecido como Iúra, foi o autor da façanha que demorou somente 14 segundos, a partir do início do jogo, para se concretizar.

Fragmento das memórias "Setenta Anos de GRE-NAL" do Dr. Jairo Cruz, que foi médico [não remunerado] do departamento de futebol do Grêmio durante a gestão do presidente Irany Santana.

Relembrem o lance.

Ficha Técnica:
Grêmio 2 x 1 Internacional
Data: 14/08/77
Local: Estádio Olímpico
Árbitro: Agomar Martins
Gols: Iúra e Tarciso (Grêmio); Hermínio (Internacional)
Grêmio - Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho, Vitor Hugo, Tadeu Ricci e Iúra (Zequinha); Tarciso, André (Alcindo) e Éder. Técnico: Telê Santana.
Internacional - Manga; Hermínio, Beliato, Gardel e Vacaria; Caçapava (Escurinho), Falcão e Batista; Valdomiro, Luizinho e Lula (Dario). Técnico: Sérgio Moacir Torres Nunes

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

UM PASSEIO OBRIGATÓRIO


2012, 07 de março. Turistas, alguns provenientes do navio de passeio MSC Musica, perambulam pelos arredores da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim - em Salvador, BA.
Ao fundo, milhões de fitas com os dizeres "LEMBRANÇA DO SENHOR DO BONFIM DA BAHIA", em 17 cores distintas e com três nós bem apertados, encobrem e enfeitam as grades que cercam o prédio. Gravados, simbolicamente, em cada uma delas os desejos de todos os que lá estiveram pelo menos uma vez.

O relógio da igreja, parado no tempo, marcava 01:42 h ou 13:42 h. Na verdade eram 11:10 h.

UM DESEJO DE LIBERDADE

Barcelona, 04 de julho de 1982. Pela segunda fase da Copa do Mundo disputada na Espanha, Polônia e União Soviética empataram em zero a zero, para vibração delirante de todas as torcidas presentes no estádio Camp Nou, exceto uma, a da própria União Soviética, cuja seleção, que era favorita nesse confronto, acabava de ser desclassificada.

Explica-se a reação do público pelo histórico papel opressivo do regime comunista da URSS sobre seus países satélites, aliado ao renascimento do ânimo destes países em busca de uma liberdade que parecia distante.


Lech Walessa, um líder sindical polonês que há pouco (31/08/1980) fundara o Sindicato Autônomo "Solidariedade", em todo o Mundo conhecido como "Solidarność", foi o pioneiro dessa nova corrente de libertação que se constituiu em um grande movimento social anti-comunista. Recomeçou ali a luta contra a dominação soviética, interrompida muitos anos antes com o fim da Primavera de Praga, em 1968, mas mantida em estado latente com as ininterruptas tentativas de fuga de pessoas que não aguentavam mais o sistema de vida que lhes era imposto do lado de lá da cortina de ferro. E quem mais sofria com isto eram os alemães que residiam em Berlim Oriental, tão próximos da liberdade e, ao mesmo tempo, tão longe, separados de seus irmãos ocidentais por redes metálicas eletrificadas com alarme, pistas de corrida para ferozes cães de guarda, e um muro de tijolos e concreto, de 3 metros de altura. Não dava para ver, nem ouvir o que acontecia do outro lado. Só imaginar.


Os aplausos à seleção da Polônia, que com o empate obtido, mandava a seleção da URSS de volta para casa, queriam dizer muito. E a televisão espanhola fazia questão de mostrar, a toda hora, a grande faixa empunhada pela torcida polonesa, onde se lia "Solidarność".


Estava prestes a germinar a semente lançada por Walessa.


Os atletas poloneses, Jozef Mlynarczyk, Marek Dziuba, Janusz Kupcewicz, Wlodzimierz Ciolek, Jan Jalocha, Waldermar Matysik, Wladislaw Zmuda, Stefan Majewski, Wlodimierz Smolarek, Andrzej Buncol, Grzegorz Lato e Zbigniew Boniek, e o técnico Antoni Piechniczek, saíram de campo esperançosos, imaginando repetir ou superar a performance da seleção de 1974. E imaginando, quiçá, a possibilidade de um dia serem parte de uma nação livre.


Os soviéticos de Rinat Dasaev, Tengiz Sulakvelidz, Aleksandr Chivadze, Sergei Baltacha, Anatoli Demianenko, Ramaz Shengelia, Sergei Andreev, Vladimir Bessonov, Yuri Gavrilov, Vitali Daraselia, Khoren Oganesian, Oleg Blokhin, Sergei Borovski, e do técnico Kostantin Beskov, entenderam o recado do público e, cabisbaixos não só pelo resultado de campo, deixaram o gramado [talvez] em modo de reflexão. Antes do jogo contra a Polônia sentiam-se como heróis da pátria. A balança do favoritismo pendia toda para o seu lado. É possível que já estivessem pensando na partida semi-final contra o Brasil ou contra a Itália - adversários no grupo C, que jogariam no dia seguinte.

Depois da partida não pensaram tanto assim na desclassificação - não tanto quanto na reação entusiasmada da maioria dos cerca de 65.000 torcedores, diante da inacreditável queda da seleção da URSS.
Acima, atletas poloneses e comissão técnica comemoram a classificação
Atletas da seleção da URSS se encaminham para o vestiário, sem alarde.
Dasaev, um dos melhores goleiros da história do futebol mundial, olha para o vazio, tentando achar uma explicação para o fracasso da sua SSSR (CCCP).

O recado estava dado. Serviu o Camp Nou, neste caso, como praça de reunião de povos diversos, os quais, como se falassem um só idioma, deram a entender que o nó estava muito apertado; que já era hora de abrir a cortina e permitir às pessoas o pleno uso de um dos valores fundamentais da existência: a liberdade de escolha.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

AS CIDADES MAIS FRIAS DO MUNDO

Oymyakon, um povoado do leste da Sibéria com somente algumas centenas de habitantes, apresentou temperatura mínima de -67,7ºC, em 1933.
Há registros não oficiais que a temperatura já atingiu -72.2ºC, em Janeiro de 1926.
Em, pelo menos, 10 dias por ano, as temperaturas são inferiores a 60 graus negativos.

Verkhoiansk, situada na república de Sakha, já no círculo polar ártico, é uma das menores cidades da Rússia.
Em 1885 houve o registro de uma temperatura de -67,8 graus, e em 1892, outro registro recorde de -69,8 graus. Estas temperaturas, no entanto, não são reconhecidas pela ciência por terem sido medidas com termômetros cuja escala não seria exatamente como a dos termômetros atuais. Mas...
A polêmica sobre qual das duas cidades é a mais fria do Mundo continua valendo.
Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

DEU, ESPORTE CLUBE PELOTAS

Foto: site do EC Pelotas 
Não sou torcedor do EC Pelotas, só aprecio a combinação azul e amarelo que simboliza o clube. Também não sou um apaixonado pelo GE Brasil e nem mesmo simpatizante do GA Farroupilha. E para não dizer que fico em cima do muro, torço pelo Guarany FC - o de Bagé, que é o original. Os outros guaranis são genéricos ou similares.



Mas...

É impossível deixar passar em branco o desabafo do José Ricardo Castro, torcedor auri-cerúleo, em sua coluna "Espeto Corrido", no Diário Popular de 15/02/2013. Ele disse ali uma verdade incontestável que só quem tem o dom de bem expressar os seus sentimentos consegue descrever. Também é assim que eu vejo a realidade do EC Pelotas.
Leiam a seguir: Lobão, Lobão II, Lobão III e Lobão IV.


Fonte: jornal Diário Popular, Pelotas, RS, 15/02/2013 - página 11.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

CUBA E A CRISE DOS MÍSSEIS

Nação mais segura do que os Estados Unidos da América (183.691.000 habitantes) não havia, uma vez que seu poder econômico e bélico era capaz de intimidar qualquer possível agressor. Além disto, dois oceanos, a leste e a oeste, os separavam do resto do mundo; e seus vizinhos, México, ao sul, e Canadá, ao norte, eram países com quem mantinham boas relações.

Cuba (7.115.263 habitantes), a sudeste, uma ilha com aproximados 110 mil quilômetros quadrados, cerca de 80 vezes menor, destacava-se somente como um país que produzia açúcar, mas isto e sua proximidade pouco importavam aos americanos.

A partir de 1898, quando se libertou do domínio espanhol e após um período de transição de quase quatro anos nos quais foi governada por uma junta militar, a República de Cuba passou a sofrer a influência e intervenção direta dos Estados Unidos que a tinha ajudado na Guerra da Independência Cubana, exigindo, em contrapartida, uma compensação que viria a interferir diretamente no futuro político da ilha.

Cuba virou um resignado protetorado americano até 1933, quando Ramón San Martín, médico e líder político cubano, passou a empenhar-se para apagar todos os vestígios da colonização espanhola e também para livrar Cuba das pretensões hegemônicas dos Estados Unidos.
Apoiado pela Rebelião dos Sargentos, encabeçada pelo sargento Fulgencio Batista, ele depôs o general Gerardo Machado que estava no poder desde 1925, mas que se viu desgastado diante dos efeitos da crise norte-americana de 1929, e assumiu a presidência provisória.

É racional afirmar que San Martín foi o precursor da Revolução Cubana de 1956/1959 que estabeleceu para Cuba uma diretriz política que permanece até os dias de hoje. Foi ele quem, contrariando diversos interesses de políticos comprometidos com as elites que serviam ao capitalismo americano: ignorou a chamada Emenda Platt, de 1902, que permitia aos Estados Unidos intervir em Cuba sempre que os seus (dos EE.UU.) interesses estivessem ameaçados; nacionalizou o comércio que até então estava nas mãos dos espanhóis; criou os direitos trabalhistas e a autonomia universitária; concedeu o direito de voto à mulher

Em janeiro de 1934, Fulgencio Batista convocou e presidiu a chamada Junta Militar de Columbia, onde propôs destituir o presidente Ramón San Martín que, dias depois, apresentou sua demissão, foi exilado para o México e substituído por Carlos Mendieta y Montefur, cujo feito mais importante foi livrar Cuba, definitivamente, da Emenda Platt

Ainda que o mandato de Mendieta tenha sido reconhecido pelos EE.UU., quem, na verdade, dirigia o país era Fulgencio Batista, orientado pelo embaixador americano Jefferson Caffery. Mas, atormentado por constantes ataques políticos que sofria por parte da oposição, Carlos Mendieta resolveu renunciar em 11 de dezembro de 1935, em favor do seu secretário de estado José Agripino Barnet y Vinarejas, o qual tratou de, imediatamente, convocar eleições diretas para presidente para o ano seguinte.

Elegeu-se então presidente de Cuba [pelo voto popular] Miguel Mariano Gómez y Arias que começou seu governo com a tomada de uma série de medidas de caráter econômico, social, cultural e político. Mas como nada parecia ser satisfatório para os cubanos, os políticos de oposição e a opinião pública não lhe deram trégua em críticas, apesar do apoio que conseguiu temporariamente obter do Congresso. Depois, acusado de interferir no poder legislativo, não suportou as pressões políticas e renunciou na véspera do natal de 1936. Na verdade, o agora coronel Fulgencio Batista estava por trás do golpe que conseguiu derrubar o presidente. O motivo aparente foi o veto de Arias à criação de escolas rurais sob o controle do exército.

Assumiu então o poder Federico Laredo Brú, um vice-presidente mais solidário ás pretensões de Fulgencio Batista.
Brú concedeu anistia ao ex-ditador Gerardo Machado e implantou medidas de bem-estar social (leis de criação de pensões, seguros, salários mínimos e horários de trabalho limitados).
Brú encaminhou, em 1937, a aprovação da Lei de Coordenação do Açúcar, que estabeleceu um novo sistema permanente de divisão dos lucros entre os trabalhadores, os produtores de cana e os donos das usinas de açúcar. Através dessa lei uma escala móvel se deslocava de acordo com o preço do açúcar, garantindo a redistribuição da renda entre as classes sociais, ao mesmo tempo em que oferecia uma proteção nacionalista às usinas e aos produtores de cana cubanos. Os cubanos passaram a deter, em seguida, 70% da indústria açucareira, em comparação com os cerca de 30% em 1925.
O presidente Brú também emitiu um decreto que declarou que todas as empresas deveriam ser lideradas por cidadãos cubanos. 1939.

No controle extra-oficial dos destinos políticos de Cuba, Fulgencio Batista convocou eleições e ganhou a presidência em meio a denúncias de fraudes, sumiço de urnas e outras ilegalidades, obtendo, por conta disto, 45,68% dos votos. Governou Cuba entre 10 de outubro de 1940 e 1º de junho de 1944, e durante esse tempo, mediante corrupção e investimentos diversos, Batista acumulou bens de tal forma que se tornou o homem mais poderoso do país.

Em 1944, Ramón Grau San Martín, que já havia governado Cuba por 4 meses – de 10 de setembro de 1933 a 14 de janeiro de 1934 – obteve 45% dos votos em novas eleições – desta vez sem fraudes – e tirou o governo das mãos de Fulgencio Batista. Em um período marcado por denúncias e corrupção, governou Cuba de 10 de outubro de 1944 a 10 de outubro de 1948, substituído pelo presidente eleito para o novo período, Carlos Prío Socarrás que 7 meses antes de completar seu mandato foi deposto por Fulgencio Batista – de novo ele – após um golpe de estado. Instalou-se aí uma ditadura escancarada que durou quase 7 anos - de 05 de abril de 1952 a...
  
Na foto: 
Raúl Castro, Fidel Castro e outro guerrilheiro em um acampamento das forças revolucionárias.

Comandados por Fidel Castro Ruz, Ernesto [Che] Guevara, Camilo Cienfuegos e Raúl Castro Ruz - 4 combatentes de um grupo de 12 remanescentes da fracassada campanha de 1956, na qual Fidel e outros 81 homens tentaram, à força, destituir o governo de Batista – os guerrilheiros, apoiados pela população rural e urbana, partiram em direção à Havana, onde tomaram o poder em 8 de janeiro.

Enquanto Fulgencio Batista fugia para os EE.UU., Fidel Castro foi nomeado Comandante em Chefe de todas as forças armadas, terrestres, aéreas e marítimas e, em seguida, Primeiro Ministro.
Urrutia Lleó assumiu provisoriamente a presidência de Cuba - 03 de janeiro a 17 de julho de 1959 – mas renunciou devido à pressão popular em favor de Fidel Castro que já tinha anunciado sua saída do cargo de Primeiro Ministro por causa do próprio Lleó que não aceitava as leis e reformas socialistas empreendidas pela revolução.

Urrutia LLeó foi substituído na presidência por Osvaldo Dorticós Torrado que permaneceu no cargo até 1976, quando foi substituído pelo próprio Fidel Castro. O novo governo de Cuba interveio nas grandes propriedades, promovendo a reforma agrária, nacionalizando empresas e bancos estrangeiros, reestruturando a saúde pública e fazendo uma reforma no ensino.

Algumas dessas medidas não foram aceitas pelo governo dos Estados Unidos que [em janeiro de 1961] rompeu relações com o governo de Cuba. Três meses depois, um grupo de exilados cubanos, treinados pela Central Intelligence Agency (CIA) dos Estados Unidos, tentou invadir a ilha. O episódio ficou conhecido em Cuba como La Batalla de Girón; no Brasil,

A Invasão da Baía dos Porcos. Um relatório divulgado pelo Arquivo Nacional de Segurança dos EE.UU., em fevereiro de 1998, dá conta que a invasão começou a ser planejada em agosto de 1959 por ordem do então presidente Dwight Eisenhower, e tinha como objetivo infiltrar exilados cubanos em seu país de origem com a missão de organizarem uma dissidência contra o regime de Fidel Castro Cerca de 1.400 homens, armados pelos norte-americanos e treinados no Panamá e na Guatemala, formaram o Exército Cubano de Libertação e invadiram os pântanos da Playa Girón em 17 de abril de 1961, imediatamente após a chuva de panfletos e bombas jogados pelos aviões dos EE.UU., os quais ostentavam a estrela da força aérea de Cuba pintada em sua fuselagem para simular uma rebelião interna das forças cubanas.
Os invasores foram derrotados [em apenas 3 dias] pela população cubana organizada em milícias. E para tentar se proteger de futuras invasões desse tipo, em dezembro de 1961 o governo de Cuba anunciou sua opção pelo socialismo, aliando-se à União Soviética.
Instalações militares soviéticas em Cuba
Foto: avião-espião do tipo U-2 - EE.UU.

Julho de 1962. Um súbito aumento no número de navios soviéticos próximos à ilha de Cuba não passou despercebido da inteligência norte-americana, e essa movimentação começou a ser seguida de perto. A desconfiança por parte dos informantes norte-americanos de que os soviéticos estavam prestes a instalar bases militares em Cuba foi ignorada pelo próprio presidente dos EE.UU. John Kennedy preferiu acreditar na palavra do líder soviético Nikita Kruschev que afirmou que a URSS não colocaria armas em Cuba. Em outubro do mesmo ano um avião-espião dos EE.UU. detectou em território cubano o que parecia ser uma base militar em construção. Um estudo mais detalhado nas imagens obtidas concluiu que ali havia 40 silos para abrigar mísseis capazes de carregar ogivas nucleares. Estava desfeita a dúvida da população cubana [que já desconfiava do fato] e dos estadunidenses, incluindo aí o presidente Kennedy que deu a mão à palmatória, uma vez que não acreditou no diretor da CIA, John McCone, quando este lhe informou que os navios soviéticos transportavam cargas bélicas. Esse foi o início do episódio que ficou conhecido mais tarde como A Crise dos Mísseis.

No decorrer da crise, Kennedy se trancou com um grupo seleto de auxiliares (comandados pelo irmão, Robert), apostou numa estratégia moderada e consistente, evitou alarmar a população e, principalmente, não deu ouvidos às pressões dos "falcões" de Washington – sedentos por sangue, os parlamentares republicanos, de oposição, não aceitavam nada aquém de uma ofensiva militar imediata contra Cuba. revista Veja - outubro de 1962. 

Parecia um jogo de xadrez. Kennedy preferiu, no início não efetuar movimentos bruscos, preferindo dar a Kruschev a oportunidade de voltar atrás em quaisquer decisões que estivesse prestes a tomar. Em uma carta [de próprio punho] dirigida a Washington, Kruschev fez a seguinte proposta: Os mísseis soviéticos seriam retirados se Kennedy prometesse não mais voltar a atacar Cuba. Em outra mensagem divulgada publicamente no dia seguinte, Kruschev exigiu a remoção dos mísseis norte-americanos baseados na Turquia, vizinha da URSS. Kennedy preferiu ignorar estas exigências e tratou de responder positivamente [somente] à primeira mensagem de Kruschev. Aguardar a resposta de Nikíta Syerguêievitch Khruchtchof (nome aqui transliterado do alfabeto cirílico) era tudo o que restava aos EE.UU.

Se houve um dia em que a pior das guerras esteve mesmo perto de começar, esse dia foi sábado, 27 de outubro de 1962. Pela manhã, a crise provocou sua primeira e única baixa: o major Rudolph Anderson, que pilotava um U-2 de reconhecimento americano derrubado por baterias antiaéreas soviéticas. Dias antes, Kennedy prometera dar sinal verde para um ataque caso os inimigos dessem o primeiro tiro. Mais consciente dos possíveis desdobramentos dessa ordem, decidiu aguardar. Ao mesmo tempo, os preparativos militares chegavam ao grau máximo. Os dois lados estavam prontos para a batalha. - revista Veja - outubro de 1962.

27 de outubro. Kruschev anunciou, em pronunciamento transmitido pela Rádio Moscou, que a URSS retiraria seus mísseis de Cuba. Aliviada a tensão, os EE.UU., sem divulgações públicas, aceitaram retirar seus foguetes da Turquia, os quais, de qualquer forma, já estavam prestes a serem substituídos. A partir desse incidente, mesmo sem a presença dos mísseis em território cubano, sentiu-se o astuto Fidel Castro protegido de possíveis - mas naquele momento improváveis - ataques norte-americanos. Contava agora Cuba com um poderoso aliado militar, embora o embargo econômico que lhe foi imposto pelos EE.UU. – o qual, ao invés de ceder com o passar dos anos, se acirra ainda mais - tenha travado por completo o seu desenvolvimento econômico. Observemos que com a desintegração da União Soviética em 1991, a economia de Cuba sofreu um retrocesso ainda maior. Com problemas de saúde, Fidel Alejandro Castro Ruz afastou-se temporariamente do governo. Em fevereiro de 2008, renunciou em favor de seu irmão [mais novo] Raúl Castro Ruz. Acreditam alguns teóricos que, aos poucos, Raúl Castro possa introduzir medidas que possibilitem a Cuba sair do isolamento, seguindo princípios econômicos semelhantes aos adotados pela China, com uma abertura gradual, porém controlada do seu mercado externo. Penso, todavia, que isto só vai ocorrer quando os irmãos Castro não mais estiverem no poder.

Bibliografia e outras fontes:
Piletti, N., Piletti, C., Tremonte, T. História e Vida Integrada. P. 137, 138, 139.
Revista Veja – outubro, 1962.
http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/10/18/chomsky-ha-50-anos-o-mundo-esteve-para-acabar/ - Chomsky: por que “o mundo esteve para acabar”, há 50 anos – por Antonio Martins.
http://www.brasilescola.com/biografia/ramon-grau.htm - Brasil-Escola.
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/seculo/2003/07/25/001.htm.
http://www.elmundo.es/larevista/num71/textos/cheb.htmlhttp://www.exilio.com/presiden.html.
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-77042012000200005&script=sci_arttext.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

THE VALENTINE'S DAY...

... É HOJE.
imagem: inkity.com
“A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia de jejum tido em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico chega depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado.

O bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.

Além de continuar celebrando casamentos, ele se casou secretamente, apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor.

Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “De seu Valentim”.

Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte - 14 de fevereiro - também marca a véspera das Lupercais, festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno (deusa da mulher e do matrimônio) e de Pan (deus da natureza). Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.

Outra versão diz que no século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim como a união do Dia dos Namorados. A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o The Valentine's Day. E na Idade Média, dizia-se que o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam essa ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta do(a) amado(a).

Atualmente, o dia é principalmente associado à troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa. Estima-se que, mundo fora, aproximadamente um bilhão de cartões com mensagens românticas são enviados a cada ano, tornando esse dia um dos mais lucrativos do ano. Também se estima que as mulheres comprem aproximadamente 85% de todos os presentes no Brasil.

O dia de São Valentim era, até há algumas décadas, uma festa comemorada principalmente em países anglo-saxões, mas ao longo do século XX o hábito estendeu-se a muitos outros países.”

Texto integralmente reproduzido de

sábado, 9 de fevereiro de 2013

CARNELEVAR, ... CARNEVALE, ... CARNAVAL

Carnaval. Do francês carnaval, através do italiano carnevale, de carnelevar (retirar a carne).
O Carnaval é um período de festas profanas de origem medieval - alguns pesquisadores afirmam que a festa, tal como a compreendemos, foi instituída no século IV, nos domínios do Império Romano -, compreendido entre o Dia de Reis e a Quarta-Feira de Cinzas, que correspondem aos três dias que precedem a Quaresma.

Está claro nesta definição que Carnaval é uma festa religiosa [¿ou pagã?] que, como tal, tem dia certo para ser comemorado. Não tem uma data fixa porque está atrelado a um calendário regido pelas fases da Lua que, por sua vez determina o período da Semana Santa.

Explico:
O Domingo de Páscoa, que marca o dia da ressurreição de Cristo, é o primeiro domingo após a primeira lua-cheia do outono. O domingo anterior a esse é conhecido como Domingo de Ramos que simboliza o dia da entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém, onde foi saudado por seu fiéis que lhe acenavam com ramos de palmeira.
Os preceitos religiosos que originaram o Carnaval determinaram que nos quarenta dias que antecedem o Domingo de Ramos as pessoas não deveriam consumir carne e, por extensão, não deveriam se desgastar em orgias de todo o tipo. Assim, ficou determinada a data do Carnaval, que passou a ser o último dia em que [quase] tudo era permitido.
A partir do Domingo de Ramos contamos 40 (quarenta) dias para trás e chegamos ao dia do Carnaval, que cai sempre em uma terça-feira.

Façamos um teste:
Acesse um calendário lunar - vamos ver este aqui
Quer saber quando será o Carnaval em 2016, por exemplo?
Observe [no calendário lunar] que a primeira lua-cheia do outono - estação que chega normalmente entre 20 e 21 de março - cai no dia 23. Isto quer dizer que esta já será a primeira lua cheia do outono.

Um calendário comum ou uma cansativa contagem de meses e dias nos revelará que o próximo domingo, ou seja o primeiro domingo após a primeira lua cheia do outono, cai no dia 27 de março, e é o Domingo de Páscoa. O domingo anterior [que cai em 20 de março] é o Domingo de Ramos. Contemos 40 (quarenta) dias para trás e vamos achar a terça-feira de Carnaval: 09 de fevereiro [de 2016].

Não tem erro.
E esta constatação nos remete a uma pergunta:
Se o carnaval é uma festa de origem religiosa [¿ou pagã?] que tem dia certo para acontecer, por que  o poder executivo de alguns municípios brasileiros pensa ter direito de alterar o período correspondente a essa festa popular?

Entendo que quaisquer que sejam os objetivos de tais mudanças, não há sentido em se vivenciar o Carnaval em uma faixa temporal onde sua própria chama já foi extinta, como tem sido o caso do Carnaval na cidade de Uruguaiana, RS, por exemplo. Desconfio que outras cidades gaúchas, contaminadas pela estranha ideia, pretendem fazer a mesma coisa.
Fantasia para o tradicional Baile de Máscaras - Veneza, Itália
origem da foto: http://viajeaqui.abril.com.br/materias/galeria-festas-de-carnaval-pelo-mundo?foto=3#3

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

CIO DA TERRA

Nos tempos de União Soviética o controle estatal sobre a economia consolidou uma grande, porém ineficiente estrutura burocrática no país. O governo centralizava tudo, tornando lentas as decisões e a transmissão de informações, atrasando a produção de bens e a evolução tecnológica que não estivesse ligada ao fortalecimento do seu aparato militar.
Depois da glasnost, da perestroika, da queda do muro e da cortina rasgada, os países resultantes do desmembramento do grande urso mostraram-se pouco diversificados e despreparados para assumir uma atitude competitiva no mercado mundial.
Mesmo com limitações, alguns países, dos que passaram a formar a Comunidade dos Estados Independentes, conseguiram manter uma boa produção agrícola.

Este é o caso da Ucrânia, onde [em algum lugar] vemos uma família trabalhando no preparo da terra para o cultivo do milho. Os equipamentos são, de certa forma, rudimentares, e a extensão de campo é grande, mas ao que parece, ninguém está pensando em descansar ou desistir.
Foto Gleb Garanish / Reuters - 2007

domingo, 3 de fevereiro de 2013

HÁ 30 ANOS NO OLÍMPICO MONUMENTAL



Porto Alegre, 30 de janeiro de 1983 - domingo. O Grêmio tinha contratado dois grandes jogadores para reforçar o time na campanha da 24ª edição da Taça Libertadores da América que começaria no mês de março. O técnico Valdir Espinosa promoveu a estreia de ambos neste jogo aí [destacado na página de esportes do jornal Zero Hora do dia seguinte]. Osvaldo, com a camisa 8, e Tita, com a 10 - meia-atacante e meia-armador, respectivamente - formaram o meio-de-campo com China que era o centro-médio com a camisa 5.
Em Porto Alegre, a passeio, meu irmão e eu, acompanhados e ciceroneados pelo meu padrinho, Ten. Olinto Gonçalves - de saudosa memória -, fomos assistir ao amistoso Grêmio x Ponte Preta, cuja importância seria nenhuma se não fosse o fato de esse ter sido o primeiro [e único] jogo que eu assisti no Olímpico Monumental.
Para nós ficou na história. E é possível que no plano de fundo da foto acima, entre o Dicá (10) e o Tita, lá estivéssemos, meu irmão, meu padrinho e eu.


Colaboração sine qua non: Maurício Fontana
Imagem: jornal Zero Hora - página 55, 31/01/2013.  

STALINGRADO - HÁ 70 ANOS

Abrangendo um território de quase 100 mil Km², a batalha de Stalingrado envolveu cerca de 2.100.000 de pessoas, 26.000 fuzis, metralhadoras e morteiros, 2.100 tanques e 2.500 aviões de combate, e durou 200 dias [de 17/07/1942 a 02/02/1943].

Stalingrado era um grande centro industrial, além de ser o mais importante entroncamento das vias de transporte soviéticas. Era por lá que o exército vermelho recebia quase todo o petróleo do Cáucaso - região limítrofe entre Europa e Ásia que abriga grandes jazidas de petróleo.

“Lutar até a morte; nem um passo para trás!”. Este era o lema dos defensores da cidade que travaram combate nas ruas, nas casas e nos escombros resultantes da violência da batalha. Civis lutaram ombro a ombro com os soldados.

"Inicialmente eu defendia juntamente com o meu pelotão a oficina 17 da fábrica de tratores. Mais tarde o nosso regimento foi transferido para defender a fábrica  'Barricadas'. Juntamente conosco lutavam os milicianos. Eles trabalhavam nas máquinas de torno fazendo projeteis para o exército. De dia trabalhavam juntamente conosco nestas máquinas e quando as tropas alemãs passavam à ofensiva, tomavam dos seus fuzis, que estavam junto dos seus tornos, e defendiam Stalingrado. No verão de 1942 a artilharia e aviação alemãs bombardeavam a cidade sem parar. Mas os defensores de Stalingrado mantinham-se firmes."
Depoimento do combatente Nikolai Tsarichvili [para a rádio Voz da Rússia].

Na campanha de Stalingrado mais de 800.000 soldados e oficiais alemães foram mortos, feridos ou presos, assim como grande quantidade de equipamento militar foi perdido ou apreendido, causando irrecuperáveis prejuízos - inclusive psicológicos - para os nazistas.
Stalingrado, 1942. Na foto acima, o comandante da 13ª Divisão da Guarda de Fuzileiros (ao centro), num dos raros momentos de alívio da tensão, descobre que seus comandados arranjaram um mascote. Talvez este seja um sinal de boa sorte.
Foto: RIA Novosti


P.S.: Até 1925, Stalingrado chamava-se Tsaritsin, e a partir de 1961 passou a ser chamada de Volgogrado.