sábado, 24 de agosto de 2013

OS CINQUENTA ANOS DA FITA-CASSETE

Berlim, 1963. Há cinquenta anos, na Internationalen Funkausstellung ou Feira Internacional do Rádio - ¿Seria esta a tradução? - a Philips mostrou, pela primeira vez, a fita-cassete. Associada a um gravador portátil*, o invento virou febre entre os jovens e era comercializado com 30, 60, 90, 120 ou até 180 minutos de duração. Tocava [ou gravava] no Lado A e no Lado B.

O "virou febre entre os jovens" se justifica porque com ela [e um gravador portátil] passou a ser possível não só gravar as músicas do rádio ou do toca-discos e reproduzi-las em qualquer lugar, mas também registrar conversas, entrevistas ou o que quer que fosse em matéria de som.

As gravações não ficavam assim tão boas, mas a indústria fonográfica, agora sujeita a uma pirataria despretensiosa, teve que se adaptar, e passou a lançar os trabalhos de seus artistas, antes só apresentados em LPs e compactos simples ou duplos, também através de fitas cassetes. Na capa da embalagem da fita vinha uma reprodução exata - em tamanho reduzido, é evidente - da capa do LP do artista.

O inconveniente da fita, além da reprodução não ser tão boa quanto à do LP, era que muitas vezes ela ficava presa ao gravador ou toca-fitas. Mas apesar destes percalços houve quem se importasse - e muito - com a sua popularidade. Foi o caso da GEMA (Gesellschaft für Musikalische Aufführungs und Mechanische Vervielfältigungsrechte), uma entidade protetora dos direitos autorais musicais na Alemanha, fundada em 1976, que passou a classificar como "roubo" a gravação e posterior reprodução de músicas por este método. Como medida protetora desses direitos, a GEMA conseguiu, em 1985, impor uma taxa - algo em torno do que seriam hoje 30 centavos de real - sobre a compra de fitas cassete virgens, a ser distribuída entre autores ou compositores.

Com a chegada do Compact Disc, lançado entre o final dos anos 80 e começo dos 90, a fita K7 - assim como seu rival, o disco de vinil - perdeu importância, e as famosas Basf, Philips, Sony, TDK e outras menos votadas, sumiram.

Eu ainda tenho algumas fitas remanescentes, mas nem sei o que nelas está gravado. Ficam para a posteridade... se alguém conseguir reproduzi-las em algum toca-fitas também remanescente do Século XX.

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