quinta-feira, 31 de agosto de 2017

GUARANY F.C. - CAMPEÃO GAÚCHO DE 1920

1920. Faltando duas rodadas para o encerramento do campeonato citadino de Porto Alegre, promovido pela APAD (Associação Porto-Alegrense de Desportos), o Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense que pretendia utilizar três jogadores do - já extinto, lá em 1917 - Fussball Mannschaft Frisch Auf, contra o Foot-Ball Club Porto Alegre e o Sport Club São José, respectivamente, não aceitou a proibição da APAD (Associação Porto-Alegrense de Desportos), baseada na "Lei do Estágio", onde constava que todo o atleta que trocasse de equipe deveria ficar, pelo menos, seis meses disputando somente amistosos. Tendo recorrido à FRGD (Federação Rio-Grandense de Desportos), o Grêmio ganhou o direito de contar com tais atletas, condição não aceita pela APAD que resolveu desclassificar o clube da competição.

A FRGD, organizadora do campeonato gaúcho, não desconsiderou a participação do Grêmio no campeonato citadino. O tricolor de Porto Alegre - que naquela época não usava o preto em seu uniforme, apesar de mantê-lo em suas cores oficiais - com duas partidas a menos, alcançou os mesmos pontos obtidos pelo Sport Club Internacional, declarado campeão citadino pela APAD. Em função desse aproveitamento, das vitórias nos confrontos diretos contra o campeão da APAD e dos desentendimentos entre APAD e FRGD, esta inscreveu o Grêmio como representante de Porto Alegre no campeonato regional.

Assim, o campeonato da 1ª Região (Região Centro) teve, além do Sport Club Juventude, de Caxias do Sul, e do, então, Sport Club Nacional, de São Leopoldo - hoje Grêmio Esportivo Nacional -, também o Grêmio Football Porto-Alegrense, que empatou em 1 a 1 com o Nacional, em 01/11, e venceu o Juventude, em 07/11, por 3 a 0. Como na primeira partida do campeonato, uns dias antes, o Juventude havia goleado o Nacional por 4 a 1, sagrou-se campeão o Grêmio.

Pela 2ª Região (Região Sul) a disputa foi entre o Guarany Foot-Ball Club, de Bagé, o Grêmio Sportivo Ideal, de Pelotas, e o São Paulo Foot-Ball Club, da cidade do Rio Grande. Sob protestos da Liga Pelotense de Foot-Ball que não concordou com a utilização por parte do alvi-rubro bajeense de jogadores que tinham disputado a Liga do Uruguay, o Guarany venceu seus adversários e habilitou-se a disputar as finais.

Enquanto isso a FRGD convidava - por telegrama - o Sport Club Guarany, de Cruz Alta, único clube filiado à Região Serra para participar das finais. Não houve resposta, e a 3ª Região ficou sem representante.

Apesar dos protestos do Grêmio Foot-Ball Santanense - documentados na FRGD - em relação a irregularidades no campeonato citadino de Santana do Livramento, a vitória dentro do campo coube ao Sport Club 14 de Julho que, depois, foi jogar contra o Sport Club Uruguaiana, decidindo a vaga destinada à 4ª Região (Região Fronteira). Um empate em 3 a 3 e depois uma vitória do Uruguaiana por 5 a 0, resolveram as questões.

Assim, disputaram as finais, em Pelotas - sede do último campeão, apontada de acordo com os estatutos da FRGD -, classificados pela 1ª, 2ª e 4ª regiões, respectivamente, o Grêmio FBPA, o Guarany FC e o SC Uruguaiana.

Em 15 de novembro, no estádio da Boca do Lobo, com arbitragem de Antônio Petrucci Sobrinho, enfrentaram-se Grêmio e Guarany, assim formatados:
  • Grêmio: Lara, Py e M. Costa; Bruno, Dorival e Meneghini; Assumpção, Ramão, Octaviano, Maranghetto e Levy.
  • Guarany: Félo; Avancini e Granja; Olivella, Seixas e Souza Pinto; Argeu, Ruiz, Grecco, Índio e Fortunato.
Vitória do Guarany, com gol marcado por Grecco, aos 18 minutos do 1º tempo.

Três dias depois, ou seja, em 18 de novembro, no mesmo local e com o mesmo árbitro do primeiro jogo das finais: Uruguaiana 0 x 3 Grêmio.
  • Uruguaiana: Sánchez; Berriel I e Jango; Gues, Coutinho e Toledo; Salvo, Monassi, Warty, Mosquito e Nenê.
  • Grêmio: Lara; Py e M. Costa; Bruno, Dorival e Menenghini; Assumpção, Ramão, Danico, Maranghetto e Levy.
Os gols foram marcados por: Ramão, Assumpção e Danico.

 Voltou o Grêmio a Porto Alegre no navio "Itaquera", depositando suas chances de ser campeão nos pés dos jogadores do Uruguaiana que iam enfrentar o Guarany, no domingo, dia 21.

Telegramas de cinco em cinco minutos, eram dirigidos à redação do Correio do Povo, noticiando o andamento da partida entre Guarany e Uruguaiana. Depois, o jornal publicou em suas páginas, todos os telegramas, na íntegra, assim como o resultado do jogo: Guarany 1 x 0 Uruguaiana.
  • Guarany: Félo, Avancini e Granja; Olivella, Seixas e Souza Pinto; Argeu, Ruiz, Grecco, Índio e Fortunato.
  • Uruguaiana: Sánchez; Berriel I e Jango; Gues, Coutinho e Toledo; Salvo, Monassi, Warty, Mosquito e Nenê.
O gol do jogo foi marcado por Grecco, no 1º tempo. O árbitro foi Antônio Petrucci Sobrinho, e o local foi o estádio da Boca do Lobo.

Duas vitórias, e pronto: Guarany, campeão gaúcho de 1920.
Guarany Foot-Ball Club, campeão gaúcho de 1920.
Fonte: Museu Virtual do Futebol apud acervo do Guarany Foot-Ball Club

O jornal Diário Popular, da cidade de Pelotas, publicou na terça-feira, 23 de novembro, as seguintes notas relacionadas ao término do campeonato estadual de 1920:
"Finalisou, antes de hontem, na magnifica praça de desportos do 'SC. Pelotas', o campeonato estadual, que, com tanto brilho, se vinha realisando. E pode-se affirmar que foi justamente esse encontro, entre o 'Uruguayana' e o 'Guarany', o mais empolgante e aquelle que mais prendeu a attenção do publico."

"Guarany Football Club"
"Para Bagé, voltou, hontem, a missão e jogadores do 'Guarany Foot Ball Club', daquella cidade, e que aqui veiu disputar o campeonato da região e em seguida, do Estado, sahindo victorioso em ambos."

REFERÊNCIAS

1 ALMEIDA, José Ricardo Caldas e. Fase Final do Campeonato Gaúcho de 1920. Disponível em: <http://arquivosdofutebolbrasileiro.blogspot.com.br/2011/12/fase-final-do-campeonato-gaucho-de-1920.html>.

2 DIÁRIO POPULAR, 23 nov 1920, p.2.

3 DIENSTMANN, Claudio. Campeonato Gaúcho - 68 Anos de História. Porto Alegre: Sulina, 1987. 175 p.

4 JOBIM, André Vinícius. Fichas dos Jogos do Grêmio. Disponível em:

5 TAVARES, Nilo Dias. Museu Virtual do Futebol. Disponível em:
<http://reliquiasdofutebol.blogspot.com.br/2013/11/o-alvi-rubro-de-bage.html>.



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

RECURSOS NATURAIS: PRODUÇÃO X CONSUMO

"Estamos viviendo a costa de los recursos naturales de las futuras generaciones."
Juan Carlos del Olmo - Secretário Geral da WWF Espanha 

1969. O consumo mundial até esse período se dava no mesmo ritmo que a produção, situação que ano a ano foi se degradando em função da exploração contínua e progressiva das fontes naturais da terra e do mar.

Segundo a Global Footprint Network (GFN), uma ONG que se preocupa com o gerenciamento dos recursos naturais e mudanças climáticas, em 2017, a capacidade que tem o planeta de se regenerar de forma sustentável, levando-se em conta um período anual, se esgotou em 02 de agosto de 2017, antes de todos os anos que se tem registro.
A Terra vista da Apollo 17 - NASA, 1972.

Quando os cientistas começaram a medir o “orçamento ecológico anual”, em 2007, concluíram que o consumo dos bens naturais extrapolaria o limite daquele ano a partir de 19 de dezembro, ou seja, durante os restantes doze dias do ano, consumiríamos mais do que o planeta teria capacidade de produzir.

É possível notar que esse cálculo é feito, comparando o consumo total da humanidade com a capacidade da Terra de regenerar, em um ano, seus recursos naturais.

Diante deste comparativo, deduz-se que a cada ano o consumo anual é maior e retrocedem as datas-limite anuais de equilíbrio entre produção e consumo.

De acordo com a GFN, hoje, estamos consumindo o equivalente a 1,7 planetas Terra. Alguns países classificados como “desenvolvidos”, segundo a ONG, apresentaram os seguintes parâmetros ecológicos relacionados ao consumo natural e capacidade de regeneração da natureza em seus territórios – ver Tabela 1.

TABELA 1 –   CONSUMO ANUAL ACIMA DA CAPACIDADE DE REGENERAÇÃO DO PLANETA
Tabela 1 - Extrapolação do consumo de recursos naturais em relação à capacidade de regeneração da Terra.   

O desflorestamento, a escassez de água, a erosão do solo e os assoreamentos dos rios, a perda de biodiversidade e o aumento de dióxido de carbono na atmosfera são resultado da exploração humana, desmedida, dos recursos do planeta. Isto acontece porque, por exemplo, pescamos, cultivamos e desflorestamos além das nossas necessidades. E em relação ao desmatamento, emitimos mais dióxido de carbono do que as árvores conseguem absorver.

Segundo a Global Footprint Network:

1.  Se as emissões de dióxido de carbono fossem reduzidas à metade, o “dia de esgotamento da Terra” se atrasaria em 89 dias, ou seja, o superávit de recursos naturais duraria até novembro;

2.  Reduzir à metade o desperdício de comida também contribuiria para a diminuição do impacto sobre a natureza, aumentando a capacidade do sistema em 11 dias. Conforme a ONG, um terço da comida produzida no mundo para consumo humano, cerca de 1.300 milhões de toneladas, é inadequadamente utilizada ou desperdiçada, representando cerca de 9% das reservas ecológicas;

3.  Nas cidades as “contribuições” mais significativas para o aumento do desequilíbrio ecológico são as gestões de transporte público, os sistemas de aquecimento e o aumento populacional, relacionado diretamente ao controle de natalidade.


domingo, 11 de junho de 2017

¿OS DIAS ERAM ASSIM?

Março de 1968. Num daqueles dias uma aluna de Química Orgânica da Universidade de Brasília definiu os desentendimentos entre os estudantes e a polícia, em uma figura de linguagem análoga a princípios da físico-química. Disse ela: “Estudantes e polícia são como duas moléculas diferentes colocadas uma diante da outra. Elas se atraem, provocam o encontro de energias contrárias e geram o atrito. Se elas fossem iguais, o resultado seria a estabilidade.”

A charge de Duque Estrada, em “A Culpa da Violência”, na primeira edição da revista Veja, de 11 de setembro de 1968, nos faz refletir que pouco mudaram, de lá para cá, as atitudes dos que protestam contra os governos e dos que tentam coibir esses protestos.
Autor: Duque Estrada. Revista Veja, 11/09/1968, p. 23.

Sabe-se, desde sempre, que violência, de parte a parte, não resolve conflitos. Apenas os acalmam temporariamente, por conta do enfraquecimento momentâneo de um dos lados. Depois, eles – os conflitos - voltam com mais força.

Fonte: revista Veja, edição 1, 11/09/1968, p. 22/23.  
 

quarta-feira, 8 de março de 2017

PARA TODAS AS MULHERES DO MUNDO


Maltratadas, agredidas, aprisionadas, discriminadas. Sim, ainda ocorrem situações como estas, envolvendo as mulheres, em todas as regiões do planeta.
O Dia Internacional da Mulher, lembrado e comemorado há mais de um século no dia 08 de março, poderia passar quase despercebido se não mais houvesse a necessidade da reafirmação de conceitos contra a discriminação, o desrespeito, as agressões físicas e psicológicas, e outras ações piores, contra meninas, jovens mulheres, namoradas e esposas, todas elas mães em potencial nos seus sonhos, no presente ou no futuro.

Poster alemão de 1914 em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, conclama o direito ao voto feminino.
Fonte: Wikipédia
Minorias, ancoradas em práticas e teorias retrógradas, ainda hoje insistem em desconsiderar que o lugar da mulher é em todos os lugares, em todas as atividades e em todas as profissões, algumas destas, antes, reservadas ou admissíveis somente para o gênero masculino. 
Assim, ainda há que se exaltar essa data em favor da reflexão e da reafirmação dos direitos [e deveres - observo] iguais para todos.