sábado, 27 de setembro de 2014

PONTE AÉREA: RÚSSIA/FAVELA DE SANTA MARTA

Rio de Janeiro, agosto/setembro de 2014. Elas vieram de longe para uma experiência de seis semanas que nunca imaginaram vivenciar.

Masha Mironyuk, de Chelyabinsk/Rússia, estudante de Relações Internacionais, e Maria Semenchenok, de Moscou/Rússia, licenciada em Engenharia Aeronáutica, tiveram a oportunidade de chegar ao Rio de Janeiro através de um intercâmbio organizado pela AIESEC - uma organização sem fins lucrativos gerenciada por jovens, em parceria com outras organizações e instituições ao redor do mundo, cujos objetivos são o engajamento e desenvolvimento da juventude através de experiências de alto impacto - e a UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

Elas se hospedaram na Favela de Santa Marta, conhecida no mundo todo por ter sido o local escolhido por Michael Jackson como cenário para o seu clip "They Don't Care About Us", em 1996. Naquela época, morar em Santa Marta era sujeitar-se a viver sob o jugo da guerra entre facções do tráfico de drogas. Santa Marta foi a primeira favela a ser pacificada, em 2008, mas ainda enfrenta muitos problemas de infraestrutura como, por exemplo, a quase inexistência de saneamento básico.

"Eu não sabia o que era uma favela, apenas tinha ouvido falar, mas não podia imaginar tudo isso: as casinhas na montanha, as ruas estreitas e as centenas de escadarias. Na primeira semana que passei aqui, tive um verdadeiro choque cultural."
"(...) Vim para fazer um intercâmbio através de uma organização internacional de estudantes (...)."
"(...) Alguns dias antes de chegar, me fizeram uma proposta de viver em uma favela e eu aceitei. Foi assim que cheguei à Santa Marta."
"(...) Eu li que antes era perigoso e que agora está muito mais tranquilo. Quando me disseram que iríamos viver em uma favela, não me preocupei muito. Me pareceu uma oportunidade única para conhecer uma parte da cidade que nem todo mundo vê. O Rio de Janeiro não é feito apenas de bairros ricos em frente à praia."
Masha Mironyuk, 20 anos.

“Antes de chegar, eu pensava que uma favela era simplesmente um bairro pobre, mas na realidade é um pequeno universo cheio de pessoas e de casas, nas quais vivem não apenas os desfavorecidos. As pessoas são muito amáveis, falavam conosco e tentavam nos ajudar, apesar de não entendermos português."
“(...) Para mim foi uma grande experiência. A princípio, você só pensa na pobreza, mas depois de algum tempo se dá conta de que as pessoas são muito amáveis e que vivem em uma comunidade, como se fosse uma grande família. Foi muito bom sair da zona de conforto e conhecer outra realidade, porque o Rio é isso, uma cidade de grandes contrastes." 
Maria Semenchenok, 24 anos, que junto com Masha Mironiuk, deu aulas de criação de empresas, startup - situação que caracteriza um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza - e novos modelos de negócios a estudantes brasileiros. 

Uns dias depois do impacto inicial que durou uma semana, subir os 550 degraus que separam o local de onde se hospedaram até a rua, já não parecia tão difícil. Isso ocorre quando o teleférico, que sobe até o topo da favela, estraga. Quem fica para trás depois da meia-noite - horário de encerramento da linha - também só volta a pé.

"(...)Não viveu na favela quem ainda não subiu 550 degraus a pé e debaixo de chuva”, afirmou Masha Mironiuk, em tom de brincadeira.
A jovem, que já consegue entender [um pouco] o português falado no Brasil, retorna aos seus estudos, em Cheliabynsk, com uma bagagem cultural, pelo menos, diferenciada, e talvez um pouco triste por ter que ir embora. O Rio de Janeiro, por certo, ficará para sempre entranhado em suas boas lembranças.

Fonte: Gazeta Russa

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

JANTAR FARROUPILHA DO GRÊMIO FBPA

Fundado em 15 de setembro de 1903, portanto, há 111 anos, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense inaugurou seu primeiro estádio em 04 de agosto de 1904. O chamado Fortim da Baixada, localizado numa área [naquele tempo] conhecida como Schützverein Platz, entre as ruas Mostardeiro e Dona Laura, ao lado do atual Parque Moinhos de Vento, foi a casa do tricolor gaúcho durante 50 anos, ou seja, até a inauguração do Estádio Olímpico, em 19 de setembro de 1954.

Dentre as glórias alcançadas nos tempos de Baixada, destacou-se a conquista do Campeonato Farroupilha*, em 22 de setembro de 1935, com vitória [por 2 x 0] diante do SC Internacional.
Na época, a vitória gremista foi considerada um feito heroico pela forma como foi alcançada. O jogo estava empatado [em 0 x 0] até os 42 minutos do segundo tempo, e o empate daria o título para o Internacional, mas Foguinho e Laci, bem no final, consagraram o Grêmio. O técnico Sardinha I, emocionado, sugeriu que esse título fosse comemorado por mais um século.
Assim, desde 1935, em 22 de setembro, o Grêmio promove o Jantar Farroupilha, em alusão à lendária conquista.


Grêmio, Campeão Farroupilha/1935. Em pé: Artigas, Jorge, Luiz Luz, Lacy, Foguinho, Mascarenhas, Sardinha II, Brandão e Divino. Ajoelhados: Chico, Dario, Lara, Russinho e Torelly.

P.S.: Em 2014, o 79º Jantar Farroupilha foi realizado às 20 horas do dia 23 de setembro, no Restaurante Vitrine Gaúcha (DC Shopping - Rua Frederico Mentz, 1561 - Porto Alegre, RS).
 
*Denominação do Campeonato de Porto Alegre, no ano de 1935, em comemoração aos 100 anos da Revolução Farroupilha.

Imagem e inspiração: Cruz, Jairo**. SETENTA ANOS DE GRE-NAL. Edição Folha da Tarde, 06.10.1979.

**O Dr. Jairo Cruz, falecido em 10/04/2008, foi médico [não remunerado] do Grêmio entre 1956 e 1973 e conselheiro do clube de 1962 a 1977. Ele foi o primeiro médico e dirigente a criar o departamento médico no clube, equipando-o na época com o que havia de melhor para tratamentos de lesões em atletas.

sábado, 16 de agosto de 2014

UNINDO O ÚTIL AO [DES]AGRADÁVEL

Eastbourne, UK, 31 de julho de 2014. Quando percebeu que o cais estava em chamas, Louisa Foley, uma estudante residente na região, aproveitou a oportunidade para revelar-se como "celebridade".
Photo: Yoko8th / reddit

Não a condeno. Sem possibilidade alguma de ajudar no combate ao incêndio, era a sua hora de unir o útil ao [des]agradável. Assim, Louisa ensaiou uma pose de revista e "congelou" para a fotografia, valorizando suas belas curvas em um minúsculo biquini com estampa de jiboia. Naquele momento ela dava a impressão que estava fazendo um comercial de bebida. Enquanto isso, ao fundo, o pier de Eastbourne ia se desintegrando.

Desconfio que a musa, a partir de agora, aguarda convites para posar nua para a Playboy britânica.

Fonte The Telegraph
  

quinta-feira, 31 de julho de 2014

MULHERES & DOCES II

EE.UU., [possivelmente no final da] década de 40. Enquanto a atendente e a menina paralisam o semblante na direção do fotógrafo, a cliente [de chapéu] dirige um sorrateiro olhar para a porta do estabelecimento, desconfiada de ter sido seguida pelo marido. No momento em que leva o produto à boca, não há mais como disfarçar suas intenções. Se ele - o marido - descobrir que ela cedeu à tentação de comer um doce na snack bar, o regime de emagrecimento foi sabotado e o casamento estará desfeito. Daí a preocupação da mulher.
Photo: Amin Peyrovi

Alheio ao grave acontecimento, um desconhecido sorve [de canudinho] uma misteriosa bebida - recipiente encoberto pela presença da menina.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

BRANCURA RINSO


1953. No Brasil, até [pelo menos] essa data, botar as roupas de molho com uma pedra de anil - para deixar mais brancas as roupas brancas e dar um realce às cores das roupas coloridas -, alvejar [com água sanitária], esfregar, torcer, quarar - colocar as roupas brancas ensaboadas no sol para clareá-las ainda mais - e enxaguar, fazia parte da rotina das donas-de-casa, de acordo com as orientações passadas de mãe para filha desde... desde sempre.

 Prometendo um branco ainda mais branco, a Sociedade Anônima Irmãos Lever, filial brasileira da Unilever - empresa criada em 02 de setembro de 1929, um mês e meio antes da maior queda da bolsa de valores de Nova York - lançou o Rinso, primeiro sabão em pó fabricado no Brasil, à base de gordura e óleos vegetais. A fábrica ficava na Vila Anastácio, zona oeste da cidade de São Paulo.

Prevendo dificuldades na divulgação e utilização do produto, a empresa contratou demonstradoras que iam de porta em porta perguntando às donas-de-casa: "Posso usar seu tanque?" Assim, mostravam como se utilizava o novo produto. Em seguida, as demonstrações passaram a ser públicas, em tanques montados em parques, cinemas ou teatros e caminhões. Fizeram isto em mais de 120 cidades brasileiras.

Amparada pelo sucesso da mais nova forma de lavar roupa [ainda sem máquina], a Irmãos Lever resolveu lançar, em 1957, um "concorrente" para o seu Rinso. Nascia o OMO - acrônimo inglês para Old Mother Owl, cuja tradução literal é "Velha Mãe Coruja", um sabão em pó sintético, à base de matérias-primas químicas, e de coloração azul-claro, talvez em referência [ou reverência] às antigas pedras de anil, associadas a roupas, digamos, super-brancas.

¿O Rinso era verde-claro ou branco? Não lembro.

Enquanto isso, lá nos 60's, imaginando que o OMO era um "rival" do Rinso, eu prestava atenção sobre qual das duas marcas de sabão-em-pó era a preferida da minha mãe. Em seguida me dei conta que o fator principal da escolha dela era o preço. Ela comprava o que estava mais barato. Ora um, ora outro.

A crescente escalada da marca OMO deu a seus fabricantes a segurança de, aos poucos, abandonar seu primogênito. Assim, imagino que lá pelo início dos 70's, após perder mercado para o seu irmão caçula, o Rinso parou de ser fabricado no Brasil, mas de lá para cá muita gente por aqui, quando quer se referir a qualquer sabão-em-pó diz "Rinso".

Post scriptum para os saudosistas: 
Na Austrália, EE.UU., Indonésia e U.K. o Rinso ainda é fabricado.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

AS ESTRELAS DA BANDEIRA DO BRASIL



Foi o pintor Décio Vilares quem executou o primeiro desenho da atual bandeira do Brasil, assemelhada à bandeira do Império feita pelo francês Jean-Baptiste Debret. Ela foi implantada quatro dias após a proclamação da república, em 19 de novembro de 1889, a partir da ideia do filósofo e matemático Raimundo Teixeira Mendes, com a ajuda do também filósofo Miguel Lemos e do astrônomo Manuel Pereira Reis.

As estrelas sobre o campo azul da bandeira representam a disposição desses astros no céu do Rio de Janeiro, na manhã de 15 de novembro de 1889, às 08:30 h, tendo como centro o Cruzeiro do Sul que é interceptado por um eixo vertical imaginário até o infinito. Um suposto observador, fora da abóboda celeste, veria dessa forma as estrelas dispostas sobre a cidade do Rio de Janeiro.

Cada estrela representa um Estado do Brasil. Por exemplo: a estrela que se encontra acima da faixa “Ordem e Progresso” representa o Estado do Pará, que em 1889 era o maior território localizado acima da Linha do Equador.
Clique na imagem [para obter um zoom] e veja qual das estrelas representa o seu Estado.
Para visualizar o Estado correspondente a cada estrela da bandeira dê um zoom de 200%.


Estados
Estrelas
ACRE
Gama da Hidra Fêmea
ALAGOAS
Teta do Escorpião
AMAPÁ
Beta do Cão Maior
AMAZONAS
Procyon (Alfa do Cão Menor)
BAHIA
Gama do Cruzeiro do Sul
CEARÁ
Epsilon do Escorpião
DISTRITO FEDERAL
Sigma do Oitante
ESPÍRITO SANTO
Epsilon do Cruzeiro do Sul
GOIÁS
Canopus (Alfa de Argus)
MARANHÃO
Beta do Escorpião
MATO GROSSO
Sirius (Alfa do Cão Maior)
MATO GROSSO DO SUL
Alphard (Alfa da Hidra Fêmea)
MINAS GERAIS
Delta do Cruzeiro do Sul
PARÁ
Spica (Alfa de Virgem)
PARAÍBA
Capa do Escorpião
PARANÁ
Gama do Triângulo Austral
PERNAMBUCO
Mu do Escorpião
PIAUÍ
Antares (Alfa do Escorpião)
RIO DE JANEIRO
Beta do Cruzeiro do Sul
RIO GRANDE DO NORTE
Lambda do Escorpião
RIO GRANDE DO SUL
Alfa do Triângulo Austral
RONDÔNIA
Gama do Cão Maior
RORAIMA
Delta do Cão Maior
SANTA CATARINA
Beta do Triângulo Austral
SÃO PAULO
Alfa do Cruzeiro do Sul
SERGIPE
Iota do Escorpião
TOCANTINS
Epsilon do Cão Maior

Fontes: Eduardo de Freitas - http://www.brasilescola.com; Almanaque Abril, 1990.
Imagem: Sérgio Fontana

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O ARTILHEIRO DA COPA

1974, 06 de julho. Antes da Copa [realizada na Alemanha] ninguém acreditava que a Polônia pudesse repetir o feito de dois anos antes, quando ganhou a medalha de ouro nas olimpíadas de Munique. Pois foi por pouco que isto não aconteceu, uma vez que a única derrota da seleção polonesa foi na semifinal contra a anfitriã Alemanha [que viria a ser a campeã], num campo encharcado de uma tal maneira que a bola batia e ficava, imediatamente, em repouso.

Apesar da derrota, a Polônia, na minha opinião, era a segunda melhor seleção do torneio, perdendo apenas, em técnica, para os holandeses, de Johan Cruyff & Cia. Os alemães, que também tinham um bom elenco, os superaram porque superaram seus limites técnicos com vontade, força e porque tinham Gerd Müller, que não foi o artilheiro da Copa, mas foi quem a decidiu a favor da Alemanha.

À Polônia restaram: o 3º lugar, obtido na disputa contra o Brasil, que três dias antes havia perdido a outra semifinal para a Holanda; a façanha de ter conseguido marcar o maior número de gols no torneio - ao todo foram 16 -, um a mais do que os caras dos Países Baixos que fizeram 15; e o artilheiro Grzegorz Lato que naquele 6 de julho fez o gol da vitória contra o Brasil e chegou à marca dos 7 gols, três a mais do que o decisivo Müller, e dois a mais do que os craques Andrzej Szarmach, da própria Polônia, e Johan Neeskens, goleador da Holanda, então conhecida popularmente como laranja mecânica.
Foto: Editora Abril Ltda.

Em tempos de Copa do Mundo no Brasil, 40 anos depois, resta-nos imaginar quem será o artilheiro desta vez. Desde já, aposto as minhas fichas no Givanildo Vieira de Souza, o Hulk, do Brasil.

A EXPLORAÇÃO DO RIO DA PRATA E O CAMINHO DO PEABIRU

PEABIRU - A versão mais popular dá conta que os peabiru (na língua tupi, "pe" – caminho; "abiru" - gramado amassado)...