terça-feira, 29 de março de 2016

MAR DE ARAL - UM DESASTRE AMBIENTAL

Estas são imagens do Envisat - o maior satélite de observação em atividade - e destacam o recuo da costa do Mar de Aral entre 2006 e 2009.
imagem obtida do site Apolo 11
O Mar de Aral, localizado entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, e que já foi um dos quatro maiores do mundo, ao longo dos últimos 50 anos vem diminuindo por conta de um projeto soviético de irrigação que depois – hoje se vê - causou este desastre ambiental.

Até o final da década de 1980, ele se dividiu em Mar de Aral Pequeno (norte), localizado no Cazaquistão, e em forma de ferradura Mar de Aral Grande (sul), compartilhada pelo Cazaquistão e Uzbequistão.
Em 2000, o Mar de Aral Grande estava dividido em dois - um lobo oriental e ocidental. As imagens mostram que entre 2006 e 2009 o lobo oriental recuou bastante, parecendo, nesse período, ter perdido cerca de 80% de sua água.

O dique Kok-Aral, um projeto conjunto do Banco Mundial e do governo do Cazaquistão, foi construído entre as seções do norte e do sul do mar para evitar que a água flua para o trecho sul. Desde a sua conclusão em 2005, o nível da água subiu na parte norte uma média de 4 m.
A evaporação do Mar de Aral deixou para trás uma zona salina de 40.000 Km², agora chamada de Deserto de Karakum do Aral. A cada ano, as tempestades de areia violentas arrastam, pelo menos, 150.000 toneladas de sal e areia do Karakum de Aral através de centenas de quilômetros, causando graves problemas de saúde para a população local e produzindo invernos regionais mais frios e verões mais quentes. Na tentativa de atenuar esses efeitos, os governos estão plantando vegetação adaptável à condição seca/salina no antigo leito do Mar de Aral.
imagem obtida do site National Geographic

Em 2007, o governo do Cazaquistão garantiu mais um empréstimo do Banco Mundial para implementar a segunda etapa, que inclui a construção de uma segunda barragem, do projeto que visa inverter essa catástrofe ambiental causada pelo homem.

O Envisat obteve as imagens acima, em 1o de Julho de 2006 e 6 de julho de 2009, através do Medium Resolution Imaging Spectrometer (MERIS), enquanto trabalhava no modo de resolução completa para proporcionar uma resolução espacial de 300 m.


A imagem do Google Earth/2016 – abaixo – dá a entender que, em relação a 2009, houve uma certa recuperação no volume de água do Mar de Aral, tendendo o mesmo a voltar à situação mostrada em 2006, mas ainda muito longe do que era antes da desastrosa intervenção humana lá no início dos 60's. 

Fontes:
http://earthobservatory.nasa.gov/Features/WorldOfChange/aral_sea.php
http://www.apolo11.com/display.php?imagem=imagens/etc/imagem_satelite_mar_aral_2009_big.jpg
https://www.google.com.br/maps/@45.580275,58.4037179,501046m/data=!3m1!1e3?hl=pt-BR http://news.nationalgeographic.com/news/2010/04/100402-aral-sea-story/

sexta-feira, 25 de março de 2016

CANBERRA

Em 1944, com a Segunda Guerra Mundial entrando em seus estágios finais, o Ministério do Ar Britânico estabeleceu requisitos para um novo bombardeiro, um que fosse capaz de voar em altas velocidades e altitudes elevadas.
O ministério e os projetistas da aeronave não poderiam adivinhar que a proposta que acabaria por ganhar o concurso, o Canberra Elétrico Inglês, ainda estaria servindo 70 anos mais tarde como laboratório voador, realizando pesquisas para a NASA e outras agências do governo dos EUA.

¿Então porque é que a agência espacial dos Estados Unidos, que opera aeronaves de vanguarda na história da aviação, ainda utiliza um avião cujo design vem dos últimos dias da Segunda Guerra Mundial?
Os Canberra usados pela NASA são uma versão americana baseada no modelo B-57, denominada WB-57, e produzidos sob licença da fábrica de aviões Martin, da década de 1950, que construiu cerca de 400 aparelhos entre 1953 e 1957. Os exemplares da NASA - três ao todo - são os últimos ainda em serviço ativo.

Recentemente, os três Canberra foram fotografados voando em formação sobre Houston, perto de sua base. Eles fazem parte do programa científico de transporte aéreo da NASA (ASP), responsável pela atualização e modernização de sistemas de bordo e avanços no uso de dados de satélite.
A sua capacidade de voar alto os torna adequados para uma variedade de postos de trabalho, muitos deles em apoio a satélites da NASA. Estes incluem testes de calibração para ajudar medições a partir de satélites, testes em novos sensores antes de serem lançados ao espaço e obtenção de medições em grande altitude, cruzadas com leituras feitas a partir de satélites em órbita. Os Canberra voam  com uma variedade de instrumentos científicos, medindo a química atmosférica, as partículas de nuvens, poeira cósmica, umidade do solo, elevação do gelo do mar, etc.
Foto: NASA/Flickr

Pertencentes à primeira geração de aviões a jato, esses aviões ainda estão em serviço graças ao seu design impressionante, resultado de rígidos estudos motivados pelas necessidades da guerra - no caso, a II Guerra Mundial. Seus projetistas, à época, lutavam para lidar com os enormes problemas que se originariam a partir dos deslocamentos da aeronave em velocidades tão altas.

Em 1957 o Canberra quebrou o recorde de maior altitude, quando atingiu 21.400 m. Esta capacidade, aliada à sua estabilidade em vôo, o mantém, ainda hoje, muito útil para pesquisas de precisão.

Fonte: BBC


sexta-feira, 18 de março de 2016

MULHERES & DOCES IV

2016, 18 de março - bandas de Pelotas, RS. Alheia à presença do fotógrafo de O Século XX, esta jovem devora um bombom de morango, ao que nos parece, deixando o morango para o final.
Consciente do flagrante, permitiu a divulgação da imagem, desde que seu rosto e sua identidade não fossem revelados. Informou-nos seu motivo: "Minha nutricionista é linha dura e me xingaria se visse uma coisa destas."      
Figura 1


Instantes após, abriu um sorriso, ligou o botão do "vá se danar!" e, em tom provocativo à tal nutricionista - cujo doutorado no Deutsches Institut für Ernährungsforschung Potsdam-Rehbrücke, na Alemanha, confirma, de verdade, sua fama de durona - permitiu-se fotografar, sem cortes, avançando com vontade sobre o super-calórico bombom.

Figura 2

O Século XX acredita que as imagens acima "caíram na NET" muito antes desta publicação, pois não mais do que cinco minutos depois de ser clicada, a jovem recebeu uma ligação telefônica. Era a sua nutricionista.

sábado, 26 de setembro de 2015

PRISIONEIROS

II Guerra Mundial, 1940. A França caiu em pouco menos de seis semanas após o início da ofensiva alemã (10 de maio) no ocidente. Nesse período muitos soldados e civis franceses foram aprisionados e, posteriormente, enviados para a Alemanha, onde trabalharam na indústria e na construção.
Aqui alguns desses prisioneiros se preparam para jantar. O cardápio(?): batatas.

Foto (fonte): BISHOP, C & MCNAB, C. A Guerra na Europa e Norte da África - 1939/1942 -, vol. 1, p. 23. 

 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

QUO VADIS?

" Agora que vou para aquele que me enviou, nenhum de vocês pergunta: 'Para onde vais?' "
João 5:16


 
2015, 16 de setembro. Menina síria, sentada sobre a linha do trem, na fronteira da Sérvia com a Hungria, tenta entender o momento e imaginar o que pode acontecer a seguir. Assim como ela e sua família, muitos outros migrantes, vindos da Síria, tentam ingressar na Alemanha através da costa da Grécia, fazendo a travessia por terra pela Sérvia, Hungria e Áustria, respectivamente.
 
Afflatus The Telegraph
Foto Christopher Furlong/Getty Images

terça-feira, 28 de julho de 2015

1977 - A VEZ DO GRÊMIO

1976. A chegada do técnico Telê Santana em setembro, depois de uma tentativa inicial infrutífera dos dirigentes do Grêmio, dava a entender que a temporada do ano seguinte estaria bem encaminhada. E estava mesmo.
O Grêmio tinha fama de bom pagador. Assim, não foi difícil trazer jogadores experientes e de retrospecto positivo, e com eles formar uma boa equipe. O professor Ithon Fritzen, um gaúcho da cidade de Campo Bom, cuidaria da preparação física. O objetivo inicial era impedir que o colorado fosse enea – lê-se ênea – campeão gaúcho, em 1977.

Indicado pelo, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos, Almirante Heleno Nunes, e com salários atrasados no Flamengo, o meia Tadeu Ricci foi contratado. Em seguida veio o lateral direito Eurico, dispensado pelo Palmeiras que preferiu apostar em Rosemiro, oriundo do Clube do Remo (PA).  Yura, um ótimo e dedicado meia-direita, prata da casa, marginalizado em temporadas anteriores, nem imaginava que seria um dos jogadores mais importantes no esquema de Telê que tinha planos para ele.
“Ele mostrou que era preciso ser profissional. Antes, nós não tínhamos direito a discutir nada, era tudo de cima para baixo. E aí chegou o Telê e modificou tudo, começou a conversação, o Telê dava liberdade.” [Júlio Titow, o Yura]1

Contratado pelo Grêmio em 1973, após ter sido observado no campeonato brasileiro do ano anterior, mais especificamente no jogo do Internacional contra o América (GB)2, e tendo marcado o único gol do jogo, Tarciso disse certa vez, após uma derrota em Gre-Nal, que não aguentava mais perder para o Internacional. Ele que era meia de origem, fora sacrificado durante quatro anos no Grêmio jogando como centroavante. Agora, Telê Santana que enxergava o que a maioria não via, queria aproveitá-lo como ponta-direita. A partir do desempenho, acima da expectativa, de Tarciso na posição, o intrépido narrador Haroldo de Souza, na época trabalhando na Rádio Gaúcha, imortalizou o atleta, chamando-o de “o flecha-negra”, como é hoje conhecido.
Atílio Genaro Ancheta Weiguel fora escolhido o melhor zagueiro da Copa do Mundo, em 1970. O Grêmio o contratou no ano seguinte com o objetivo de agregar qualidade ao grupo que tentaria quebrar a hegemonia do Internacional nos gramados gaúchos. O Inter não se deixou abater e respondeu alguns meses depois com Elias Ricardo Figueroa Brander, mantendo seu ciclo de vitórias.

Após seis anos de derrotas, Ancheta queria ir embora. Os dirigentes gremistas não concordaram e resolveram apostar nele, no Tarciso e no Yura para a temporada de 1977. O técnico Telê saberia o que fazer dali em diante.
1977, 3 de abril. Foi contra o Guarany, em Bagé, que eu vi esse time jogar pela primeira vez. E já estava ajustado, com o Yura, antes acostumado a jogar por todo o campo, desempenhando uma nova função. O Grêmio do Telê era diferente de tudo o que eu tinha visto. Quando o time atacava, avançavam, ao mesmo tempo e com velocidade, os dois zagueiros e os dois laterais. Eles se juntavam aos atacantes, enquanto a defesa ficava guarnecida por dois volantes: o Vitor Hugo pelo meio, e o Yura, como o homem mais recuado, também pelo meio, mas apto a interceptar um contra-ataque tanto do lado direito, quanto do lado esquerdo.

E pensando todas as jogadas do Grêmio havia um craque, o Tadeu Ricci. Para quem o não viu jogar, digamos que ele foi uma das principais estrelas do Flamengo nos tempos de Júnior e Zico, onde jogou até 1976.
O ataque tricolor ainda não estava bem configurado: André, o André Catimba, que mais tarde seria decisivo para a conquista do Campeonato Gaúcho de 1977, ainda jogava no Guarani [de Campinas]; Alcindo, o veterano centroavante das vitoriosas jornadas dos 60’s, só estrearia contra o Riograndense [de Santa Maria], uns dias mais tarde. Assim, o trio de atacantes formou, em Bagé, com Zequinha, Tarciso e Éder.

Zequinha, um ponta direita com grande habilidade técnica, contratado ao Botafogo, em 1974, também era um dos remanescentes do Grêmio dos “intermináveis” fracassos diante do Internacional. Ainda assim, era um ótimo atleta para as pretensões do tricolor da Azenha.
Éder era um ponta esquerda promissor, com um chute forte - tão forte e tão certeiro como o do Rivelino -, revelado pelo América Mineiro, em 1976, então com 19 anos de idade, e observado por Telê Santana que o indicou para o Grêmio.

Enquanto isso, Tarciso ainda estava fazendo de conta que era centroavante.
O primeiro Gre-Nal dessa equipe, em 17 de abril, serviu para mostrar que a defesa formada pelos experientes Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho, estava pronta para enfrentar qualquer adversário.

Oberdan foi a primeira contratação do Grêmio para 1977. A ideia partiu do Dr. Nelson Olmedo, vice-presidente de futebol. No ano anterior, assistindo a um tape do jogo Coritiba 1 x 0 Internacional (30/10/1976), observou que todas as bolas levantadas para a área do Coritiba foram cabeceadas pelo Oberdan, que venceu todos os supostos duelos com o Escurinho, exímio cabeceador colorado. Então, sem ninguém saber, Olmedo foi a Curitiba para contratar o cara que até já havia largado o futebol.
“... . Esse foi o homem que botou o dedo na cara do Escurinho e disse: ‘– Nunca mais vocês vão fazer gol de cabeça enquanto eu jogar.’ E foi verdade.” [Hélio Dourado]3

O Ladinho foi indicado para o Grêmio através de uma ligação telefônica.
“Eu estava no Rio fazendo a transação do Tadeu Ricci e o Grêmio foi jogar uma partida em Curitiba, ..., quando o Afonso Gobbi me ligou...: ‘- Me falaram do Ladinho, lateral do Atlético Paranaense!’. Quando ele falou em Ladinho eu lembrei que tinha visto o Ladinho jogar duas ou três vezes e tinha me chamado a atenção.” [Nelson Olmedo]4

É bem provável que a relação entre o goleiro Walter Corbo e o Peñarol estivesse estremecida em 19 de janeiro de 1977, quando o Grêmio foi a Montevideo jogar um amistoso contra a seleção do Uruguay, onde ele também atuava. Corbo procurou os dirigentes do clube gaúcho no Hotel e alinhavou, com o Dr. Nelson Olmedo, a sua contratação.
Pronto. Estaria assim formada uma equipe competitiva, não só capaz de enfrentar, de igual para igual, o gigante colorado, mas também apta a impor sua técnica diante de todas as outras grandes equipes do futebol brasileiro e orgulhar a sua torcida e o seu presidente – um dos maiores da história do Grêmio -, o Dr. Hélio Dourado.

O campeonato gaúcho seria só o aperitivo.
Referências:
I) [1, 3 e 4] OSTERMANN, Ruy Carlos. Até a Pé Nós Iremos; p. 144-155.
II) [2] “Pela Lei complementar número 20, de 1 de julho de 1974, durante a presidência do general Ernesto Geisel, decidiu-se realizar a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, a partir de 15 de março de 1975, mantendo a denominação de estado do Rio de Janeiro,...” - https://pt.wikipedia.org/wiki/Guanabara.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

CEMITÉRIO DE BUQUES

Porto de Montevideo, 2015. Assim esquecidos, barcos em desuso - cerca de uma dúzia - descansam nas posições em que foram abandonados há bastante tempo, quiçá, alguns há décadas. 





Rombos não desprezíveis nos compartimentos abaixo da linha d'água vão causando, aos poucos, o desnivelamento das embarcações. Pelo menos dois buques, do conjunto observado, estão adernados em cerca de 45 graus. O tempo se encarregará de piorar o cenário.


Fotos: O Século XX
    

A EXPLORAÇÃO DO RIO DA PRATA E O CAMINHO DO PEABIRU

PEABIRU - A versão mais popular dá conta que os peabiru (na língua tupi, "pe" – caminho; "abiru" - gramado amassado)...