domingo, 29 de janeiro de 2012

GOLPE DE ARÍETE

2012, 29 de janeiro. Alarmado por um barulho forte, como o de um motor de automóvel cujo motorista tenta arrancar em 3ª marcha, percebi que esse efeito era causado por uma vibração na tubulação de recalque de água da caixa d'água dos nossos vizinhos.

Alertei-lhes para o fato, destacando que poderiam essas perturbações causar um rompimento na instalação. E o pior: quando eles não estivessem em casa.

A ocasião me fez lembrar das aulas de Hidràulica do curso de Engenharia e concluí tratar-se do famoso e temido Golpe de Aríete. Em Hidráulica, o Golpe de Aríete é um fenômeno transitório resultante das variações de pressão relacionadas à vazão intermitente de um líquido em intervalos muito curtos. O fenômeno, cujos efeitos se sobressaem a olhos vistos, caracteriza-se por uma intensa vibração da tubulação condutora, sendo essa vibração ressaltada, dependendo da gravidade do caso, por um ruído perturbador semelhante a um motor descompassado. A causa e os efeitos do Golpe de Aríete ocasionam uma sobrepressão na tubulação, podendo levar a mesma à ruptura ou, no caso de uma bomba de recalque de água, danificar o motor.

Penso que é possível, no caso supracitado, que essa tubulação esteja "contaminada" por incontáveis bolhas de ar. Assim, água e ar disputam espaço ao longo da estreita seção transversal do encanamento direcionado até a caixa d'água [instalada a uns 6 metros de altura, em relação à rede pública] e, em intervalos de décimos de segundos, o ar ocupa o lugar da água.
Por outro lado, é possível que a pressão hidráulica da rede pública esteja muito alta ou variável [em relação à antiga pressão normal de serviço], e assim, aliada a um eventual intervalo muito curto de mudança de direção (90º) da rede interna de recalque (ver diagrama), esteja causando o problema. ¿Será?

Afastado há muito tempo das questões de Hidráulica, mesmo as mais triviais, deixo a cargo dos especialistas da área que porventura estejam de plantão uma análise mais aprofundada do caso.

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