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domingo, 16 de janeiro de 2022

BATISTELLA FUTEBOL CLUBE?

2021, 25 de dezembro. Observem e analisem a imagem mostrada em anexo e tentem adivinhar, sem consultar o Google, em que cidade se localiza esse estádio e a que clube pertence.

Difícil saber, não é? Eu respondo!

É difícil porque no lugar mais nobre da fachada do estádio, onde deveriam “reinar”, imponentes, o escudo e o nome do clube, aparece um banner de um dos patrocinadores do mesmo.

Entendo que os patrocinadores podem e devem divulgar seu produto na fachada e nas dependências do estádio, mas os dirigentes do clube têm o dever de enaltecer um bem maior que é o próprio clube.

Imaginemos, por exemplo, que a bordo de um ônibus de turistas vindo de outro estado da federação houvesse alguns amantes do futebol e, ao acaso, esse ônibus passasse em frente ao estádio da foto. A pergunta que todos ou quase todos fariam [ao guia] seria: “A que clube pertence este estádio?”


Foto: Maurício L.P. Fontana - 20212512

Tal pergunta não precisaria ser feita se ao invés do já citado banner instalado no ponto mais estratégico da fachada do estádio ali estivem estampado e grafado, respectivamente, o escudo e o nome do clube. E se, assim mesmo, alguns [distraídos] a fizessem, obteriam, de pronto, a resposta correta de outros atentos companheiros de jornada.

Às vésperas do começo do Campeonato Gaúcho / 2022, o principal produto que é o clube carece de uma divulgação mais ampla na fachada do seu estádio. Que o patrocinador – aquele que aparece como destaque principal -  chegue mais para o lado e deixe vago o lugar mais nobre para o clube, a verdadeira razão de ser do torcedor, e que o clube faça valer seu direito e a força da sua torcida, registrando naquele espaço a sua marca, ou seja, o escudo e o seu nome: GUARANY FUTEBOL CLUBE.

Guarany FC

sexta-feira, 24 de julho de 2020

DE CAMISA TROCADA

2001, 06 de outubro. O perdedor do clássico gre-nal daquele dia, válido pelo campeonato brasileiro, deveria vestir a camisa do time adversário, e registrar, para sempre, o vergonhoso momento.

Foi assim que o meu amigo Cléber, colorado fanático ou colorado dos quatro costados, viu-se obrigado a vestir, pela primeira, e [talvez] única oportunidade, a camisa do Grêmio FBPA.
Ficha Técnica: Grêmio 1 x 0 Internacional



quarta-feira, 15 de julho de 2020

O BRASIL NÃO GANHOU A COPA, EM 1982, PORQUE...

1982, 05 de julho. ... porque achava que era a melhor seleção. E, na verdade, era!

Esqueceram os atletas, porém, que era preciso provar que eram os melhores! Esqueceram que para se ganhar uma competição do nível de uma Copa do Mundo, o esforço tem que ser máximo sempre, e a humildade também.
Cruzamento de Cabrini (4). A bola - destacada no círculo azul - viaja...
Imagem: Coleção Copa do Mundo FIFA 1930 - 2006 / Editora Abril


O primeiro - e quase inacreditável - gol da Itália, logo aos 5 minutos de jogo, foi o primeiro aviso. Mas nem isso adiantou. O que viria depois, mudaria o enfoque do futebol no Brasil, transformando-o no que é hoje, uma sombra do que foi o futebol nos tempos do rei Pelé.
... e encontra a cabeça de Paolo Rossi (20), que surgiu pela ponta direita, às costas do lateral Júnior (6).
Imagem: Coleção Copa do Mundo FIFA 1930 - 2006 / Editora Abril
      

O preço da derrota do Brasil para a Itália, em 1982, não foi só a perda do título de campeão mundial. Foi muito mais do que isso! Perder em 82 ajudou a alimentar uma espécie de retrocesso do futebol brasileiro, dando vez e voz aos defensores do futebol retrancado e fundamentado na força, ao estilo do então futebol europeu. Hoje, nem na Europa se joga na retranca, e a força por lá é usada com inteligência. Enquanto isso, nós ainda estamos reaprendendo a adaptar e temperar o nosso dom de bem tratar a bola, com a energia necessária para voltarmos a ser sempre, ou quase sempre, vencedores.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

GUARANY F.C. - CAMPEÃO GAÚCHO DE 1920

1920. Faltando duas rodadas para o encerramento do campeonato citadino de Porto Alegre, promovido pela APAD (Associação Porto-Alegrense de Desportos), o Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense que pretendia utilizar três jogadores do - já extinto, lá em 1917 - Fussball Mannschaft Frisch Auf, contra o Foot-Ball Club Porto Alegre e o Sport Club São José, respectivamente, não aceitou a proibição da APAD (Associação Porto-Alegrense de Desportos), baseada na "Lei do Estágio", onde constava que todo o atleta que trocasse de equipe deveria ficar, pelo menos, seis meses disputando somente amistosos. Tendo recorrido à FRGD (Federação Rio-Grandense de Desportos), o Grêmio ganhou o direito de contar com tais atletas, condição não aceita pela APAD que resolveu desclassificar o clube da competição.

A FRGD, organizadora do campeonato gaúcho, não desconsiderou a participação do Grêmio no campeonato citadino. O tricolor de Porto Alegre - que naquela época não usava o preto em seu uniforme, apesar de mantê-lo em suas cores oficiais - com duas partidas a menos, alcançou os mesmos pontos obtidos pelo Sport Club Internacional, declarado campeão citadino pela APAD. Em função desse aproveitamento, das vitórias nos confrontos diretos contra o campeão da APAD e dos desentendimentos entre APAD e FRGD, esta inscreveu o Grêmio como representante de Porto Alegre no campeonato regional.

Assim, o campeonato da 1ª Região (Região Centro) teve, além do Sport Club Juventude, de Caxias do Sul, e do, então, Sport Club Nacional, de São Leopoldo - hoje Grêmio Esportivo Nacional -, também o Grêmio Football Porto-Alegrense, que empatou em 1 a 1 com o Nacional, em 01/11, e venceu o Juventude, em 07/11, por 3 a 0. Como na primeira partida do campeonato, uns dias antes, o Juventude havia goleado o Nacional por 4 a 1, sagrou-se campeão o Grêmio.

Pela 2ª Região (Região Sul) a disputa foi entre o Guarany Foot-Ball Club, de Bagé, o Grêmio Sportivo Ideal, de Pelotas, e o São Paulo Foot-Ball Club, da cidade do Rio Grande. Sob protestos da Liga Pelotense de Foot-Ball que não concordou com a utilização por parte do alvi-rubro bajeense de jogadores que tinham disputado a Liga do Uruguay, o Guarany venceu seus adversários e habilitou-se a disputar as finais.

Enquanto isso a FRGD convidava - por telegrama - o Sport Club Guarany, de Cruz Alta, único clube filiado à Região Serra para participar das finais. Não houve resposta, e a 3ª Região ficou sem representante.

Apesar dos protestos do Grêmio Foot-Ball Santanense - documentados na FRGD - em relação a irregularidades no campeonato citadino de Santana do Livramento, a vitória dentro do campo coube ao Sport Club 14 de Julho que, depois, foi jogar contra o Sport Club Uruguaiana, decidindo a vaga destinada à 4ª Região (Região Fronteira). Um empate em 3 a 3 e depois uma vitória do Uruguaiana por 5 a 0, resolveram as questões.

Assim, disputaram as finais, em Pelotas - sede do último campeão, apontada de acordo com os estatutos da FRGD -, classificados pela 1ª, 2ª e 4ª regiões, respectivamente, o Grêmio FBPA, o Guarany FC e o SC Uruguaiana.

Em 15 de novembro, no estádio da Boca do Lobo, com arbitragem de Antônio Petrucci Sobrinho, enfrentaram-se Grêmio e Guarany, assim formatados:
  • Grêmio: Lara, Py e M. Costa; Bruno, Dorival e Meneghini; Assumpção, Ramão, Octaviano, Maranghetto e Levy.
  • Guarany: Félo; Avancini e Granja; Olivella, Seixas e Souza Pinto; Argeu, Ruiz, Grecco, Índio e Fortunato.
Vitória do Guarany, com gol marcado por Grecco, aos 18 minutos do 1º tempo.

Três dias depois, ou seja, em 18 de novembro, no mesmo local e com o mesmo árbitro do primeiro jogo das finais: Uruguaiana 0 x 3 Grêmio.
  • Uruguaiana: Sánchez; Berriel I e Jango; Gues, Coutinho e Toledo; Salvo, Monassi, Warty, Mosquito e Nenê.
  • Grêmio: Lara; Py e M. Costa; Bruno, Dorival e Menenghini; Assumpção, Ramão, Danico, Maranghetto e Levy.
Os gols foram marcados por: Ramão, Assumpção e Danico.

 Voltou o Grêmio a Porto Alegre no navio "Itaquera", depositando suas chances de ser campeão nos pés dos jogadores do Uruguaiana que iam enfrentar o Guarany, no domingo, dia 21.

Telegramas de cinco em cinco minutos, eram dirigidos à redação do Correio do Povo, noticiando o andamento da partida entre Guarany e Uruguaiana. Depois, o jornal publicou em suas páginas, todos os telegramas, na íntegra, assim como o resultado do jogo: Guarany 1 x 0 Uruguaiana.
  • Guarany: Félo, Avancini e Granja; Olivella, Seixas e Souza Pinto; Argeu, Ruiz, Grecco, Índio e Fortunato.
  • Uruguaiana: Sánchez; Berriel I e Jango; Gues, Coutinho e Toledo; Salvo, Monassi, Warty, Mosquito e Nenê.
O gol do jogo foi marcado por Grecco, no 1º tempo. O árbitro foi Antônio Petrucci Sobrinho, e o local foi o estádio da Boca do Lobo.

Duas vitórias, e pronto: Guarany, campeão gaúcho de 1920.
Guarany Foot-Ball Club, campeão gaúcho de 1920.
Fonte: Museu Virtual do Futebol apud acervo do Guarany Foot-Ball Club

O jornal Diário Popular, da cidade de Pelotas, publicou na terça-feira, 23 de novembro, as seguintes notas relacionadas ao término do campeonato estadual de 1920:
"Finalisou, antes de hontem, na magnifica praça de desportos do 'SC. Pelotas', o campeonato estadual, que, com tanto brilho, se vinha realisando. E pode-se affirmar que foi justamente esse encontro, entre o 'Uruguayana' e o 'Guarany', o mais empolgante e aquelle que mais prendeu a attenção do publico."

"Guarany Football Club"
"Para Bagé, voltou, hontem, a missão e jogadores do 'Guarany Foot Ball Club', daquella cidade, e que aqui veiu disputar o campeonato da região e em seguida, do Estado, sahindo victorioso em ambos."

REFERÊNCIAS

1 ALMEIDA, José Ricardo Caldas e. Fase Final do Campeonato Gaúcho de 1920. Disponível em: <http://arquivosdofutebolbrasileiro.blogspot.com.br/2011/12/fase-final-do-campeonato-gaucho-de-1920.html>.

2 DIÁRIO POPULAR, 23 nov 1920, p.2.

3 DIENSTMANN, Claudio. Campeonato Gaúcho - 68 Anos de História. Porto Alegre: Sulina, 1987. 175 p.

4 JOBIM, André Vinícius. Fichas dos Jogos do Grêmio. Disponível em:

5 TAVARES, Nilo Dias. Museu Virtual do Futebol. Disponível em:
<http://reliquiasdofutebol.blogspot.com.br/2013/11/o-alvi-rubro-de-bage.html>.



quinta-feira, 2 de junho de 2016

ALGUMAS ALTERAÇÕES NAS REGRAS DO FUTEBOL

Março/2016. Decisão histórica da IFAB (International Football Association Board), em sua 130ª Reunião geral Anual, em Cardiff, País de Gales, abriu o caminho para a introdução de experiências, em partidas oficiais, com árbitros assistentes de vídeo no futebol.
Imagem: http://pt.depositphotos.com/search/futebol.html?AVUPC1AzavO-EQwN5OmD=&qview=9376104

Outras adaptações às regras do futebol, a seguir também destacadas, passam a valer a partir de 1º de junho de 2016.

      1.    CAMPO DE JOGO
O campo de jogo também poderá ser de grama híbrida, ou seja, grama natural adaptada sobre uma base de grama sintética.

      2.    OS JOGADORES
Se:
. uma partida for interrompida por interferência de um membro da equipe técnica, substituto, jogador substituído ou expulso, o árbitro reiniciará o jogo com tiro livre direto - observação: a regra não esclarece quanto ao local de onde deve ser cobrada a infração;
. uma partida for interrompida por causa ou indivíduo - exemplo: torcedor - sem ligação com o jogo, este é reiniciado com bola [neutra] ao chão;
. alguém, fora dos 22 jogadores, impedir um gol, o árbitro poderá validá-lo.

      3.    OS UNIFORMES DE JOGO
Toda a fita ou outro material que estiver cobrindo as meias, deverão ser da mesma cor das meias;
Se um atleta sair do campo de jogo para trocar as chuteiras, não necessitará da permissão do árbitro para retornar, desde que seja autorizado pelo quarto árbitro.

      4.    OS ÁRBITROS
A partir da entrada do árbitro em campo, mesmo que somente para inspecionar o campo de jogo, esse poderá expulsar um atleta – por insulto, por exemplo; não poderá, porém, apresentar-lhe o cartão amarelo, pois as advertências somente serão permitidas somente durante o desenrolar da partida;
Se um atleta se lesionar e a equipe médica entrar para atendê-lo, não será necessário que o jogador deixe o campo de jogo.

      5.    DURAÇÃO DA PARTIDA
O intervalo de tempo utilizado para os atletas beberem água deverá ser adicionado aos acréscimos dados pelo árbitro.

      6.    INÍCIO DE JOGO
A regra anterior previa que a bola deveria rolar, obrigatoriamente, para a frente quando o pontapé inicial fosse executado. A partir de agora, a bola pode ser movimentada em qualquer direção no início das partidas.

      7.    PENALTY
A nova regra proíbe o gesto de interromper-se a corrida efetuada para executar um penalty. Se o árbitro entender que houve este gesto, o atleta poderá ser advertido com cartão amarelo e perderá o direito de repetir a cobrança;
Será advertido também, com cartão amarelo, o goleiro que se adiantar além da linha de gol, em uma penalidade máxima, antes que o batedor efetue o toque na bola.

      8.    DISPUTAS POR PÊNALTIES
Para evitar que uma equipe provoque expulsões para ficar somente com atletas que sejam “especialistas” em pênalties, ante uma disputa desta natureza, a outra equipe deverá reduzir o seu número de atletas até se igualar ao adversário.

      9.    REGRA DO IMPEDIMENTO
A partir de agora não se poderá afirmar que um atleta está em impedimento por um braço ou uma perna, por exemplo. As extremidades não serão consideradas. A posição irregular será apontada exatamente ao longo da linha que passa sobre o ponto onde o jogador receber a bola.

      10. SANÇÕES
Falta cometida pelo chamado “último homem”, em situação clara de gol, só será punida com cartão vermelho se houver jogada violenta.

      11. ÁRBITROS ASSISTENTES DE VÍDEO (VARs)
Por um período experimental de dois anos serão incorporados às partidas de futebol os árbitros assistentes de vídeo (Video Assistant Referees), para analisar os lances de gol duvidosos, jogadas violentas ou problemas para identificar jogadores. O árbitro principal poderá solicitar auxílio das imagens registradas.

      12. AS SUBSTITUIÇÕES
As substituições continuarão em número de três, mas em caso de prorrogação, uma quarta substituição poderá ser efetuada.
   


terça-feira, 28 de julho de 2015

1977 - A VEZ DO GRÊMIO

1976. A chegada do técnico Telê Santana em setembro, depois de uma tentativa inicial infrutífera dos dirigentes do Grêmio, dava a entender que a temporada do ano seguinte estaria bem encaminhada. E estava mesmo.
O Grêmio tinha fama de bom pagador. Assim, não foi difícil trazer jogadores experientes e de retrospecto positivo, e com eles formar uma boa equipe. O professor Ithon Fritzen, um gaúcho da cidade de Campo Bom, cuidaria da preparação física. O objetivo inicial era impedir que o colorado fosse enea – lê-se ênea – campeão gaúcho, em 1977.

Indicado pelo, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos, Almirante Heleno Nunes, e com salários atrasados no Flamengo, o meia Tadeu Ricci foi contratado. Em seguida veio o lateral direito Eurico, dispensado pelo Palmeiras que preferiu apostar em Rosemiro, oriundo do Clube do Remo (PA).  Yura, um ótimo e dedicado meia-direita, prata da casa, marginalizado em temporadas anteriores, nem imaginava que seria um dos jogadores mais importantes no esquema de Telê que tinha planos para ele.
“Ele mostrou que era preciso ser profissional. Antes, nós não tínhamos direito a discutir nada, era tudo de cima para baixo. E aí chegou o Telê e modificou tudo, começou a conversação, o Telê dava liberdade.” [Júlio Titow, o Yura]1

Contratado pelo Grêmio em 1973, após ter sido observado no campeonato brasileiro do ano anterior, mais especificamente no jogo do Internacional contra o América (GB)2, e tendo marcado o único gol do jogo, Tarciso disse certa vez, após uma derrota em Gre-Nal, que não aguentava mais perder para o Internacional. Ele que era meia de origem, fora sacrificado durante quatro anos no Grêmio jogando como centroavante. Agora, Telê Santana que enxergava o que a maioria não via, queria aproveitá-lo como ponta-direita. A partir do desempenho, acima da expectativa, de Tarciso na posição, o intrépido narrador Haroldo de Souza, na época trabalhando na Rádio Gaúcha, imortalizou o atleta, chamando-o de “o flecha-negra”, como é hoje conhecido.
Atílio Genaro Ancheta Weiguel fora escolhido o melhor zagueiro da Copa do Mundo, em 1970. O Grêmio o contratou no ano seguinte com o objetivo de agregar qualidade ao grupo que tentaria quebrar a hegemonia do Internacional nos gramados gaúchos. O Inter não se deixou abater e respondeu alguns meses depois com Elias Ricardo Figueroa Brander, mantendo seu ciclo de vitórias.

Após seis anos de derrotas, Ancheta queria ir embora. Os dirigentes gremistas não concordaram e resolveram apostar nele, no Tarciso e no Yura para a temporada de 1977. O técnico Telê saberia o que fazer dali em diante.
1977, 3 de abril. Foi contra o Guarany, em Bagé, que eu vi esse time jogar pela primeira vez. E já estava ajustado, com o Yura, antes acostumado a jogar por todo o campo, desempenhando uma nova função. O Grêmio do Telê era diferente de tudo o que eu tinha visto. Quando o time atacava, avançavam, ao mesmo tempo e com velocidade, os dois zagueiros e os dois laterais. Eles se juntavam aos atacantes, enquanto a defesa ficava guarnecida por dois volantes: o Vitor Hugo pelo meio, e o Yura, como o homem mais recuado, também pelo meio, mas apto a interceptar um contra-ataque tanto do lado direito, quanto do lado esquerdo.

E pensando todas as jogadas do Grêmio havia um craque, o Tadeu Ricci. Para quem o não viu jogar, digamos que ele foi uma das principais estrelas do Flamengo nos tempos de Júnior e Zico, onde jogou até 1976.
O ataque tricolor ainda não estava bem configurado: André, o André Catimba, que mais tarde seria decisivo para a conquista do Campeonato Gaúcho de 1977, ainda jogava no Guarani [de Campinas]; Alcindo, o veterano centroavante das vitoriosas jornadas dos 60’s, só estrearia contra o Riograndense [de Santa Maria], uns dias mais tarde. Assim, o trio de atacantes formou, em Bagé, com Zequinha, Tarciso e Éder.

Zequinha, um ponta direita com grande habilidade técnica, contratado ao Botafogo, em 1974, também era um dos remanescentes do Grêmio dos “intermináveis” fracassos diante do Internacional. Ainda assim, era um ótimo atleta para as pretensões do tricolor da Azenha.
Éder era um ponta esquerda promissor, com um chute forte - tão forte e tão certeiro como o do Rivelino -, revelado pelo América Mineiro, em 1976, então com 19 anos de idade, e observado por Telê Santana que o indicou para o Grêmio.

Enquanto isso, Tarciso ainda estava fazendo de conta que era centroavante.
O primeiro Gre-Nal dessa equipe, em 17 de abril, serviu para mostrar que a defesa formada pelos experientes Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho, estava pronta para enfrentar qualquer adversário.

Oberdan foi a primeira contratação do Grêmio para 1977. A ideia partiu do Dr. Nelson Olmedo, vice-presidente de futebol. No ano anterior, assistindo a um tape do jogo Coritiba 1 x 0 Internacional (30/10/1976), observou que todas as bolas levantadas para a área do Coritiba foram cabeceadas pelo Oberdan, que venceu todos os supostos duelos com o Escurinho, exímio cabeceador colorado. Então, sem ninguém saber, Olmedo foi a Curitiba para contratar o cara que até já havia largado o futebol.
“... . Esse foi o homem que botou o dedo na cara do Escurinho e disse: ‘– Nunca mais vocês vão fazer gol de cabeça enquanto eu jogar.’ E foi verdade.” [Hélio Dourado]3

O Ladinho foi indicado para o Grêmio através de uma ligação telefônica.
“Eu estava no Rio fazendo a transação do Tadeu Ricci e o Grêmio foi jogar uma partida em Curitiba, ..., quando o Afonso Gobbi me ligou...: ‘- Me falaram do Ladinho, lateral do Atlético Paranaense!’. Quando ele falou em Ladinho eu lembrei que tinha visto o Ladinho jogar duas ou três vezes e tinha me chamado a atenção.” [Nelson Olmedo]4

É bem provável que a relação entre o goleiro Walter Corbo e o Peñarol estivesse estremecida em 19 de janeiro de 1977, quando o Grêmio foi a Montevideo jogar um amistoso contra a seleção do Uruguay, onde ele também atuava. Corbo procurou os dirigentes do clube gaúcho no Hotel e alinhavou, com o Dr. Nelson Olmedo, a sua contratação.
Pronto. Estaria assim formada uma equipe competitiva, não só capaz de enfrentar, de igual para igual, o gigante colorado, mas também apta a impor sua técnica diante de todas as outras grandes equipes do futebol brasileiro e orgulhar a sua torcida e o seu presidente – um dos maiores da história do Grêmio -, o Dr. Hélio Dourado.

O campeonato gaúcho seria só o aperitivo.
Referências:
I) [1, 3 e 4] OSTERMANN, Ruy Carlos. Até a Pé Nós Iremos; p. 144-155.
II) [2] “Pela Lei complementar número 20, de 1 de julho de 1974, durante a presidência do general Ernesto Geisel, decidiu-se realizar a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, a partir de 15 de março de 1975, mantendo a denominação de estado do Rio de Janeiro,...” - https://pt.wikipedia.org/wiki/Guanabara.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

JANTAR FARROUPILHA DO GRÊMIO FBPA

Fundado em 15 de setembro de 1903, portanto, há 111 anos, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense inaugurou seu primeiro estádio em 04 de agosto de 1904. O chamado Fortim da Baixada, localizado numa área [naquele tempo] conhecida como Schützverein Platz, entre as ruas Mostardeiro e Dona Laura, ao lado do atual Parque Moinhos de Vento, foi a casa do tricolor gaúcho durante 50 anos, ou seja, até a inauguração do Estádio Olímpico, em 19 de setembro de 1954.

Dentre as glórias alcançadas nos tempos de Baixada, destacou-se a conquista do Campeonato Farroupilha*, em 22 de setembro de 1935, com vitória [por 2 x 0] diante do SC Internacional.
Na época, a vitória gremista foi considerada um feito heroico pela forma como foi alcançada. O jogo estava empatado [em 0 x 0] até os 42 minutos do segundo tempo, e o empate daria o título para o Internacional, mas Foguinho e Laci, bem no final, consagraram o Grêmio. O técnico Sardinha I, emocionado, sugeriu que esse título fosse comemorado por mais um século.
Assim, desde 1935, em 22 de setembro, o Grêmio promove o Jantar Farroupilha, em alusão à lendária conquista.


Grêmio, Campeão Farroupilha/1935. Em pé: Artigas, Jorge, Luiz Luz, Lacy, Foguinho, Mascarenhas, Sardinha II, Brandão e Divino. Ajoelhados: Chico, Dario, Lara, Russinho e Torelly.

P.S.: Em 2014, o 79º Jantar Farroupilha foi realizado às 20 horas do dia 23 de setembro, no Restaurante Vitrine Gaúcha (DC Shopping - Rua Frederico Mentz, 1561 - Porto Alegre, RS).
 
*Denominação do Campeonato de Porto Alegre, no ano de 1935, em comemoração aos 100 anos da Revolução Farroupilha.

Imagem e inspiração: Cruz, Jairo**. SETENTA ANOS DE GRE-NAL. Edição Folha da Tarde, 06.10.1979.

**O Dr. Jairo Cruz, falecido em 10/04/2008, foi médico [não remunerado] do Grêmio entre 1956 e 1973 e conselheiro do clube de 1962 a 1977. Ele foi o primeiro médico e dirigente a criar o departamento médico no clube, equipando-o na época com o que havia de melhor para tratamentos de lesões em atletas.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O ARTILHEIRO DA COPA

1974, 06 de julho. Antes da Copa [realizada na Alemanha] ninguém acreditava que a Polônia pudesse repetir o feito de dois anos antes, quando ganhou a medalha de ouro nas olimpíadas de Munique. Pois foi por pouco que isto não aconteceu, uma vez que a única derrota da seleção polonesa foi na semifinal contra a anfitriã Alemanha [que viria a ser a campeã], num campo encharcado de uma tal maneira que a bola batia e ficava, imediatamente, em repouso.

Apesar da derrota, a Polônia, na minha opinião, era a segunda melhor seleção do torneio, perdendo apenas, em técnica, para os holandeses, de Johan Cruyff & Cia. Os alemães, que também tinham um bom elenco, os superaram porque superaram seus limites técnicos com vontade, força e porque tinham Gerd Müller, que não foi o artilheiro da Copa, mas foi quem a decidiu a favor da Alemanha.

À Polônia restaram: o 3º lugar, obtido na disputa contra o Brasil, que três dias antes havia perdido a outra semifinal para a Holanda; a façanha de ter conseguido marcar o maior número de gols no torneio - ao todo foram 16 -, um a mais do que os caras dos Países Baixos que fizeram 15; e o artilheiro Grzegorz Lato que naquele 6 de julho fez o gol da vitória contra o Brasil e chegou à marca dos 7 gols, três a mais do que o decisivo Müller, e dois a mais do que os craques Andrzej Szarmach, da própria Polônia, e Johan Neeskens, goleador da Holanda, então conhecida popularmente como laranja mecânica.
Foto: Editora Abril Ltda.

Em tempos de Copa do Mundo no Brasil, 40 anos depois, resta-nos imaginar quem será o artilheiro desta vez. Desde já, aposto as minhas fichas no Givanildo Vieira de Souza, o Hulk, do Brasil.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

COPA DO MUNDO FIFA / 2014 - SÉRIE B

Andei pensando, na falta de ter o que fazer, que se existisse uma Série B para a Copa do Mundo, em 2014 ela poderia ser composta pelos países que quase se classificaram para a Copa. Seria a Copa dos Quase/2014.

A composição dos grupos e o carnet da Copa poderiam ficar assim:



sábado, 19 de abril de 2014

PALMEIRAS, CAMPEÃO BRASILEIRO/1994

1994, 18 de dezembro. A segunda partida da fase final do Brasileirão daquele ano, entre Corínthians e Palmeiras, no Pacaembu, terminou com um gol para cada lado. Mas três dias antes, em 15/12, o Palmeiras, como mandante [no mesmo estádio], havia vencido por 3 a 1. O somatório de triunfos permitiu-lhe a conquista do título brasileiro de 1994, repetindo o feito de 93.

O Palmeiras de Velloso, Cláudio, Antônio Carlos, Cléber, Wagner, César Sampaio, Flávio Conceição (Amaral), Mazinho, Edmundo (Tonhão), Evair e Rivaldo, treinado por Wanderley Luxemburgo, enfrentou o Corínthians de Ronaldo, Paulo Roberto, Gralak, Henrique, Branco, Zé Elias, Luisinho, Marcelinho Paulista, Souza (Tupãzinho), Marcelinho Carioca e Viola (Marques). O técnico era Jair Pereira.


Roberto Carlos, um dos principais ídolos do time, não jogou a segunda partida e, portanto, não saiu na foto do título.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

CRUZEIRINHO

O de Belo Horizonte, MG, é, com larga vantagem, o mais famoso e vitorioso dentre todos os seus homônimos. Seu prestígio nos induz a imaginar que a tradição e sucesso desse clube inspirou a criação dos outros que também ostentam o nome "Cruzeiro".

Mas o Cruzeiro Esporte Clube veio depois; depois de, pelo menos, um deles.

Dos arquivos do clube mineiro: "Em 1942, com a entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial, foi proibida a utilização de termos que se referem à Itália, em entidades, instituições e estabelecimentos no Brasil. Com isso, o Clube precisou ser renomeado e o nome escolhido foi Cruzeiro EC, em homenagem ao símbolo maior da pátria brasileira."

No futebol gaúcho temos um exemplo de "Cruzeiro" que nasceu primeiro.

Fundado em 14 de julho de 1913, o Esporte Clube Cruzeiro, com sede em Porto Alegre, RS, foi, durante décadas do século passado, a terceira força do futebol gaúcho, destacando-se também no atletismo, no vôlei e no basquete. Chamado de "Cruzeirinho" pela imprensa gaúcha - termo que eu considero pejorativo ao invés de carinhoso, como querem dar a entender os que assim o denominam -, o Cruzeiro, de Porto Alegre - que agora é de Cachoeirinha, RS -, que eu saiba, é o pioneiro dos "Cruzeiros" do Brasil. "Cruzeirinhos" são as imitações.


EC Cruzeiro
Estádio: Av. Ary Rosa Santos, Bairro Granja Esperança, Cachoeirinha, RS.
Secretaria: Rua Amapá 564, Bairro Ponta Porã, Cachoeirinha, RS - telefone (51) 3041-5220.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

DEZ A ZERO

1977, 31 de julho. Pelo 1º turno do decagonal do Campeonato Gaúcho daquele ano, Grêmio FBPA e EC Pelotas se enfrentaram no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, na 6ª rodada.
O Grêmio vinha de um empate de zero a zero, em casa, contra o EC Juventude; o Pelotas, nessa fase do campeonato, ainda não havia vencido. Vinha de um empate em zero a zero, no clássico Bra-Pel.
Entrevero na área do EC Pelotas.
 Aqui, o goleiro Leomar, salvaguardado por todos os seus jogadores de defesa, já dominou o lance.

Apesar da fraca campanha do auri-cerúleo, ninguém esperava que no campo encharcado do Olímpico a diferença técnica entre os dois times ficasse tão evidente.
Carlos André Avelino de Lima - o André Catimba (Grêmio) - e Clarísio Darci Hoerlle - o Darci Munique (Pelotas) - dividem o lance. Vantagem para ninguém.

Pelas ondas de uma das rádios de Porto Alegre, acompanhamos, em casa, incrédulos, a marcha do tempo e do placar. Quando o Grêmio chegou ao sétimo gol, antes dos 30 minutos do segundo tempo, pensei, entusiasmado: No ritmo que vai, não duvido que faça uns dez gols!
E assim, de fato, aconteceu.

GRÊMIO FBPA 10 x 0 EC PELOTAS

Data: 31 de julho de 1977
Local: Porto Alegre / RS
Competição: Campeonato Gaúcho de 1977
Renda: Cr$ 142.619,00
Árbitro: Luís Torres

Grêmio: Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdan (Vilson) e Ladinho; Vitor Hugo, Tadeu e Iúra; Tarciso, André (Alcindo) e Éder.

Pelotas: Leomar; Vinhas, Darci Munique, Fernando (Paulo Vieira) e Cito; Sílvio Vieira, Édson (Mortosa) e Flávio Correia; Francisco, Tião Abatiá e Jorge Luís.

Gols: 1º tempo - Eurico aos 3 min., Éder aos 35 min., Ancheta aos 43 min.; 2º tempo - Iúra aos 4 min., Tarciso aos 12 min.,

Alcindo aos 25 min., Éder aos 29 min., Iúra aos 38 min., Éder aos 42 min. e Alcindo aos 44 min.

Saiba deste jogo mais detalhes em
http://gremio1983.blogspot.com.br/2012/07/1977-gauchao-gremio-10-x-0-pelotas.html

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A BRUXA CANADENSE

Observando-se o registro fotográfico, logo abaixo, não é possível imaginar que estas simpáticas modelos formam, na verdade, a melhor equipe [feminina] de curling do mundo.
Foto: Janzen Photography

Jennifer Jones, Dawn McEwen, Kaitlyn Lawes e Jill Officer, representantes do Canadá, disputaram [e venceram] o torneio de curling nas Olimpíadas de Inverno / 2014, em Sochi / Rússia. A final foi contra a forte equipe da Suécia, que tivera mais sorte do que juízo na semi-final contra a Suíça.
Dawn McEwen,  Jennifer Jones, Kaitlyn Lawes e Jill Officer  ensaiam uma estratégia durante um jogo do torneio Roar of the Rings, em Winnipeg - Dezembro/2013.
Foto: John Woods / The Canadian Press

Na semi-final contra a Grã-Bretanha Jennifer Jones fez uma jogada "impossível" que contribuiu muito para a vitória do Canadá. Naquele momento, observando seu modo de olhar e sua concentração, eu a chamei de "a bruxa canadense", não com intenções pejorativas e nem imaginando que o termo "bruxa" se devesse à vassoura que todos os jogadores de curling utilizam nos jogos, mas pensando em Jennifer como alguém capaz de usar a mágica e [quiçáz] o hipnotismo para dar vazão ao seu talento como jogadora. De imediato concluí: "Com esta jogadora, este time é imbatível!".
Aqui, Jennifer Jones, a bruxa canadense, lança uma pedra no jogo contra a Suíça, em 13/02/2014, sob a vigilância e frenética atividade de varredura das companheiras Jill Officer e Dawn McEwen.
Kaitlyn Lawes [que não aparece] aguarda no fundo da quadra - onde a vassoura também vai entrar em ação - a chegada da pedra.
Foto: (AP / Robert F. Bukaty)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

MOMENTOS DO FUTEBOL / 2013

As imagens não são assim tão boas nítidas, mas servem para demonstrar que nem só de glamour vive o futebol, mesmo aquele desenvolvido em nível de primeira divisão.
Como o tempo de exibição é muito longo (cerca de 27 minutos), creio que ninguém vai ter saco paciência para ver tudo de uma vez só. Mas o registro está feito.

Fonte http://www.youtube.com/user/GoalsHighlights2014

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

ANTES DO JOGO

Pelotas, 05 de novembro de 2013 - 19:40 h. Torcida do EC Pelotas se deslocando do [seu] estádio da Boca do Lobo em direção ao Bento Freitas, onde, em seguida, mais um clássico Bra-Pel seria realizado.
Fiquei "trancado" no trânsito, aguardando a passagem dos [então] entusiasmados torcedores auri-cerúleos, aí aproveitei para tirar as fotos. O local é Av. Bento Gonçalves, quase esquina com J. K. de Oliveira.



O retorno para casa não seria tão animado por causa do resultado. O placar de 2 x 1 para o GE Brasil que conquistou o título do 2º turno da Copa FGF/Região Sul-Fronteira, adiou a decisão do título de campeão regional/2013.

Pelotas, campeão do 1º turno, e Brasil, campeão do 2º turno, decidem em dois clássicos quem será o campeão, de fato. A esta altura da linha do tempo ainda não se sabe.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

A CAMINHO DA COPA - por FLORENCE RODRIGUES

Desenvolvido pelo Ponto de Mídia Livre Pólis Digital e publicado em 24/03/2013, o documentário "A Caminho da Copa" apresenta diversas opiniões a respeito dos impactos positivos e negativos ao meio ambiente e, especialmente, às comunidades, quando aqui no Brasil se resolve promover um megaevento.

Moradores do Rio e de São Paulo atingidos pelas obras urbanas referentes à Copa do Mundo - Brasil / 2014 e Olimpíadas / 2016, assim como o urbanista Carlos Vainer, o jornalista Juca Kfouri, a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, o administrador de empresas Toni Sando e o deputado Vicente Cândido são os entrevistados.
 
A CAMINHO DA COPA
por Florence Rodrigues
através de Wilson Santana

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O PRIMEIRO TORNEIO RIO-SÃO PAULO

1933. Se considerarmos os meios de transporte disponíveis na época, o primeiro Torneio Rio-São Paulo, disputado naquele ano, foi uma espécie de campeonato brasileiro, longo e cansativo como os da atualidade, porque as delegações dos clubes se deslocavam de trem e, no caso de uma viagem São Paulo/Rio/São Paulo ou vice-versa, eram duas jornadas de 9 horas, cada.

Sete clubes de São Paulo

SC Corínthians Paulista
SE Palestra Itália (atual SE Palmeiras)
A Portuguesa de Desportos
Santos FC
AA São Bento
São Paulo FC (alcunhado na época como São Paulo da Floresta)
CA Ypiranga

e

cinco do Rio de Janeiro

América FC
Bangu AC
Bonsucesso FC
Fluminense FC
CR Vasco da Gama

jogaram nessa primeira edição, realizada em turno e returno pelo sistema de pontos corridos, cujos resultados das partidas disputadas dentro dos campeonatos paulista e carioca entre os times locais foram considerados como válidos também para o Torneio Rio-São Paulo. O Botafogo FR - que preferiu continuar se passando por clube amador - e o CR Flamengo - que ainda não era filiado à Liga Carioca de Futebol quando o torneio começou - não participaram.

Todos os resultados estão registrados no site
http://futpedia.globo.com/campeonato/torneio-rio-sao-paulo/1933

Na última partida do torneio, o Palestra venceu o Fluminense no Parque Antárctica, em 10 de dezembro, e livrou dois pontos do São Paulo que uns dias antes, em 03/12, tinha vencido [no Rio] o próprio Fluminense por 5 a 2.

A classificação final, que culminou com o título para a Sociedade Esportiva Palestra Itália, ficou assim:
C
CLUBE
J
V
E
D
GP
GC
PG
 1
Palestra Itália
22
17
2
 3
67
25
    36
 2
São Paulo
22
16
2
 4
75
31
34
 3
Portuguesa
22
12
6
 4
57
33
30
 4
Bangu
22
13
3
 6
65
46
29
 5
Vasco da Gama
22
10
4
 8
44
31
24
 6
Corinthians
22
10
2
10
31
51
22
 7
Fluminense
22
 8
4
10
38
41
20
 8
América
22
 8
2
12
47
65
18
 9
Santos
22
 7
3
12
46
57
17
10
Bonsucesso
22
 5
6
11
35
50
16
11
São Bento
22
 5
3
14
31
52
13
12
Ypiranga
22
 2
1
19
23
77
 5

Abaixo, uma das formações do Palestra Itália, Campeão Paulista e Campeão do Torneio Rio-São Paulo / 1933.
De pé: Carnera - Tufy - Dula - Nascimento - Junqueira - Tunga - Garcia
Agachados: Carrazzo - Avelino - Gabardo - Romeu - Lara - Imparato

Dados do último jogo:
 
PALESTRA ITÁLIA 2 x 1 FLUMINENSE
Data: 10/12/1933
Local: Estádio Parque Antarctica (São Paulo, SP)
Árbitro: Loris Cordovil
Público estimado: 25.000 
 
Palestra:
Nascimento;
Carnera e Junqueira;
Tunga, Dula e Tuffy;
Avelino, Gabardo, Romeu Pelicciari, Lara e Imparato III.
Técnico: Humberto Cabelli
 
Fluminense:
Armandinho;
Ernesto e Nariz;
Marcial, Brant e Ivan (Casilandro);
Álvaro, Vicentino, Russo, Bermudes e Salvyo
Técnico: Artur de Azevedo Filho

Gols: Gabardo aos 15', Dula 19', do 1º tempo; Bermudes 39' do 2º tempo.

USANDO E ABUSANDO DA CALF RAISE MACHINE

2026, 12 de maio. Um dos objetivos aqui era exercitar o chamado segundo coração. Assim, contando com o auxílio da calf raise machine (máq...