segunda-feira, 16 de setembro de 2013

ARQUIMEDES E A COROA DO REI

Em “O Espelho de Arquimedes” , narrado neste blog, o rei de Siracusa, Hierão [ou Hieron] II, contratou o famoso Arquimedes - inventor, físico, matemático, filósofo e engenheiro, etc. – para projetar e construir dispositivos de guerra para combater os romanos. O estratagema deu certo e os romanos sofreram reveses consideráveis em função das invenções do sábio siracusano.




Acostumou-se o rei a ter Arquimedes por perto para resolver seus problemas, dos mais simples aos mais complexos. 
Assim, contratou-o certa vez para...

Vamos retroceder um pouco:

Hieron encomendou a um ourives – artesão que faz peças de ouro e prata – uma coroa de ouro puro. Quando a recebeu , desconfiou que a mesma não era feita totalmente de ouro porque já havia denúncias de que o ourives, eventualmente, utilizava em seus trabalhos uma liga de ouro e prata.

Chamou então Arquimedes para certificar-se da qualidade do material utilizado na confecção da reluzente coroa. Mas Arquimedes, dessa vez, não sabia o que responder ao rei.

Um dia, porém, enquanto entrava em uma banheira cheia d’água, Arquimedes percebeu que seu corpo deslocava um determinado volume de água, e que o nível da água na banheira subia à medida que nela mergulhava. Saiu da banheira, e o nível voltou ao normal; entrou novamente, e o nível d’água subiu. Concluiu, de imediato, que ao entrar na banheira deslocava determinado volume de água, e que esse volume era igual ao volume do seu próprio corpo imerso na água. Também não lhe passou despercebido que o seu corpo, mergulhado, parecia mais leve porque a água o empurrava para cima.

Entusiasmou-se tanto Arquimedes, a ponto de esquecer que estava nu, saltou da banheira e saiu gritando pelas ruas de Siracusa: - Heureka! Heureka! (Descobri! Descobri!).

Ele sabia agora como medir o volume da coroa. Relatando ao rei o fato, tratou logo de trabalhar no assunto.

Utilizando dois recipientes - um menor dentro de outro um pouco maior -, colocou a coroa no recipiente menor cheio de água, que transbordou em parte, caindo no outro recipiente. Mediu o volume do líquido que transbordou e concluiu que esse volume correspondia ao volume da coroa.

Sabendo o volume da coroa, encomendou [a outro ourives de sua confiança] objetos com volume igual ao da coroa: um de ouro puro e outro de prata, ambos maciços. De posse dos objetos, dias depois, colocou a coroa do rei num dos pratos de uma balança; no outro prato colocou, um de cada vez, os objetos de ouro e de prata.

Verificou então que a coroa era mais leve que o objeto de ouro maciço e mais pesada que o de prata. Com isso pode confirmar ao rei que a coroa não era de ouro puro, mas feita de uma liga de ouro e prata.

O que aconteceu depois com o ourives do rei, a lenda não conta.


Ronan, Colin A. Das Origens à Grécia. História Ilustrada da Ciência. Rio de Janeiro, Zahar, 1994. p. 118-9.
Barros, C. e Paulino, W. Ciências – Física e Química.

Imagem: ARQUIVO ICONOGRÁFICO, S.A. / CORBIS / STOCK PHOTOS

TEXTO READAPTADO POR

Sérgio M. P. Fontana

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