quarta-feira, 13 de abril de 2011

A CORRIDA ESPACIAL III

"As séries Vostok e Mercury garantiram a soviéticos e americanos que o espaço não era um meio hostil à ambição e curiosidade do homem" (Almanaque Abril), mas enquanto a nave Mercury tinha um espaço interno muito reduzido (algo em torno de 1,7 metros cúbicos), a Vostok se "destacava" por ser rústica em detalhes e instrumentos. Os cientistas de ambos os lados se deram conta que para evoluírem no processo de conquista do espaço, com menores riscos para as tripulações, precisavam de veículos mais sofisticados. Assim, passaram a desenvolver projetos que deram origem às naves Soyuz (URSS), com 23 toneladas e 22 metros cúbicos de espaço interno, e às cápsulas Apollo (EUA), com 30 toneladas e 8 metros cúbicos de espaço interno.

Exageraram, porém, no peso. Os foguetes da época não tinham força para colocar no espaço naves tão pesadas. O plano de emergência foi apelar para um estágio intermediário da evolução dos projetos. Os americanos lançaram, nesse meio tempo, o projeto Gemini, cujas naves pesavam 3,8 toneladas, com 2,5 metros cúbicos úteis, e os soviéticos apresentaram o projeto Voskhod, com veículos que pesavam 6,5 toneladas e tinham 8 metros cúbicos internamente, cujo objetivo era executar vôos orbitais com mais de um astronauta, inclusive com uma caminhada espacial extra-veicular.

Os americanos esperavam alcançar com as naves Gemini [projetada para levar dois astronautas] os seguintes objetivos: transportar equipamentos de suporte para vôos de até 14 dias; efetuar acoplamentos com outros veículos espaciais, manobrando os veículos acoplados a partir dos motores do veículo-alvo; aperfeiçoar métodos de reentrada e pouso em locais previamente estabelecidos; adquirir mais informações a respeito dos efeitos da falta de gravidade nos seres humanos e analisar as reações fisiológicas em vôos de longa duração. (História da Conquista Espacial, Karl H. Benz).

Mas o objetivo principal - todos sabiam - era chegar à Lua, pois um mês depois da epopéia de Gagarin, "os Estados Unidos anunciaram que até o fim da década enviariam um homem à Lua com segurança e o trariam de volta". (Uma Breve História do Século XX - Geoffrey Blainey).

Entre as metas do projeto Voskhod, soviético, destacavam-se: a execução dos vôos orbitais com três cosmonautas; e as caminhadas espaciais extra-veiculares para avaliar a capacidade humana em realizar tarefas fora das naves.
A grande diferença das Voskhod em relação às naves Vostok era a existência de um conjunto de retrofoguetes no nariz da nave, que era utilizado para uma descida suave. "O dispositivo permitia que a nave pousasse com seus astronautas a bordo, sem exigir que os mesmos utilizassem assentos ejetores nem pulassem de pára-quedas, como acontecia com a Vostok." (Karl Benz - História da Conquista Espacial).

O programa Voskhod teve apenas duas missões tripuladas, as outras duas previstas foram canceladas. A Voskhod I, lançada em 12 de outubro de 1964, foi a primeira nave a transportar mais de uma pessoa. Na verdade foram três cosmonautas: Vladimir Komarov (Moscou/URSS, 16/03/1927 — Orenburgskaya Oblast/Rússia, 24/04/1967), o piloto; Boris Yegorov (Moscou/URSS, 26/11/1937 - Moscou/Rússia, 12/09/1994), médico; e Konstantin Feoktistov (Voronezh/Rússia, 07/02/1926 – Moscou/Rússia, 21/11/2009), projetista de naves. Komarov foi o primeiro cosmonauta a morrer em uma missão espacial - a bordo da nave Soyuz I.

Em 18 de março de 1965 foi lançada a cápsula Voskhod 2, com dois cosmonautas: Pavel Belyayev (Chelizshevo/URSS, 10/06/1925 — Moscou/Rússia, 10/01/1970); e Alexey Leonov (Listvyanka/Kemerovo Oblast/URSS, 30/05/1934). Durante este vôo, Leonov realizou o primeiro passeio espacial, em mais um vôo de 1 dia. Mas ...
Alexey Leonov no primeiro passeio extra-veicular do Homem no espaço
Divulgação Телеграфное агенство Советского Союза при кабинете министров СССР, ТАСС

... " um problema de despressurização ocorreu na Voskhod 2. Na primeira tentativa de reentrada, na décima sétima órbita, os retrofoguetes primários falharam, o que obrigou ao uso manual dos retrofoguetes de pouso, uma órbita depois. O módulo de serviço não se separou completamente, tal como acontecia com as naves Vostok, colocando a nave e a tripulação em risco, ao girar violentamente e sem controle.

O pouso ocorreu nos Montes Urais, longe do ponto previsto. Após o pouso, a tripulação passou a noite na floresta, ameaçada por lobos e nevascas, até ser localizada e resgatada no dia seguinte.

A respeito da sua experiência solitária durante o primeiro passeio espacial, Alexey Leonov escreveu em seu diário: 'Diante de mim, a Voskhod flutuava no espaço, com suas antenas que mais pareciam os bigodes de um monstro que apalpasse o vazio do cosmo. As vigias eram como enormes olhos que acompanhavam todos os meus movimentos, assim como as câmaras de televisão que me observavam. Tudo era negro. No céu negro, as estrelas não cintilavam. O Sol parecia um enorme disco incandescente, incrustado no veludo negro do céu cósmico, num aspecto totalmente oposto ao que havíamos nos habituado na Terra. Olhando para baixo de mim, contemplei o nosso planeta, com a cor azul do céu. Observei o Mar Cáspio, a bacia azul da baía de Novorossiski e as montanhas do Cáucaso.'" (Karl Benz - História da Conquista Espacial).

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