segunda-feira, 8 de junho de 2009

GAUCHÃO, 1980- CHARGE

A única chance que nós tínhamos de ganhar alguma coisa, lá por 1980, era o Gauchão, pois eu nem imaginava que um ano depois veria o Grêmio ser campeão brasileiro pela primeira vez. Antes disso, quem já estava acostumado a ganhar títulos nacionais era o Internacional, porque a máquina tricolor, apesar de fazer ótimas campanhas nas fases classificatórias, entregava os pontos faltando muito pouco para chegar à etapa final. Assim, restava-me criar charges análogas às publicadas na seção de esportes da Folha da Tarde, na década de 1960, que mostravam numa fila, em ordem descrescente, os representantes de cada clube, querendo dar ênfase à classificação do campeonato gaúcho. Por exemplo: o Grêmio era um mosqueteiro; o Internacional era o Saci; o Guarany de Bagé era um cacique; o Pelotas era um lobo ou um almofadinha vestido de fraque e cartola; o Aimoré também era um cacique; o Brasil era um índio Xavante; o Farroupilha era um fantasma; o Bagé era uma abelha graúda; o Gaúcho era um gaúcho mesmo; e assim por diante. O Juventude, o Flamengo (atual SER Caxias) e o Floriano (atual EC Novo Hamburgo) eu não lembro como eram. Só sei que o último lugar vinha com a lanterna na mão.
Abaixo, uma tímida amostragem de uma das minhas antigas manifestações como torcedor do Grêmio. Eufórico pela conquista do título gaúcho em 1980, depois de acompanhar a vitória gremista no hexagonal final, não resisti, rabisquei isto aí numa folha de caderno e mandei [pelo correio] para o meu pai.

Da esquerda para a direita: o Juventude, o Internacional de Santa Maria, o São Borja, o Novo Hamburgo, o Grêmio (mais alto no podium) e o Internacional de Porto Alegre.
Observações: o desenho original foi feito a lápis e não era colorido como aí aparece; me esqueci e desenhei os Sacis, tanto o do Internacional de Porto Alegre, quanto o do Internacional de Santa Maria (o primo pobre), com as duas pernas, sem a touca vermelha e sem o cachimbo, mas já os vi [em outras vesões] também sem touca e sem cachimbo.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

BRASIL– UM MINUTO DE SILÊNCIO

Em comemoração ao primeiro aniversário deste blog , "nascido" em 05 de junho de 2008, reproduzo uma estória, baseada em fatos p'ra lá de reais, que escrevi para a revista eletrônica Cerrado Cultural, uma revista literária virtual luso-brasileira, em 2008.
Não é ano de Copa do Mundo, mas os brasileiros estão assanhados com os preparativos, não da Copa de 2010, que é na África do Sul, mas da Copa de 2014, que é aqui. Assim, voltemos no tempo, ao encontro do IV Campeonato Mundial de Futebol, o que foi realizado no Brasil; voltemos a "viver" a vida de João Cândido, o personagem real dessa... estória? (ou será história?) naqueles dias de Copa do Mundo, em 1950.

BRASIL – UM MINUTO DE SILÊNCIO

João Cândido era um apaixonado por futebol. Tinha o hábito de escrever para os colunistas das seções de esportes dos jornais da capital e sentia-se muito satisfeito quando um de seus questionamentos ou opiniões caía no gosto do responsável pelas matérias, o que culminava com a publicação do seu texto, na íntegra, e com o seu nome no rodapé. Ficava mais feliz ainda quando outro leitor, ofendido por um ataque eventual a determinado clube ou jogador de futebol, transformava-se em antagonista e respondia, raivoso, a quaisquer das suas cartas, principiando, daí em diante, um debate que se estendia por algumas semanas. Mas isto tudo ele só fazia nas horas vagas. A maior parte do seu tempo era dedicado à Companhia de Trens, empresa pública onde trabalhava como telegrafista. Não cogitava, todavia, jogar futebol na várzea com os colegas de serviço. Esquivava-se, dizendo que tinha uma lesão crônica no joelho, oriunda de jornadas passadas. A verdade é que ele nem sabia chutar direito. Na adolescência ganhara o apelido de “pé-de-tábua” porque só conseguia impulsionar a bola com o lado do pé, e muito mal. Com vergonha das suas limitações técnicas, fugia da prática do futebol como o diabo foge da cruz.

A Copa do Mundo de 1950, que estava sendo realizada no Brasil, era o principal assunto nos bares e cafés do centro da cidade, distante uns 380 quilômetros da capital. João que estava sempre atento às notícias publicadas nos jornais e no rádio, entusiasmava-se quando era solicitado a esclarecer dúvidas ou explicar alguma coisa aos amigos a respeito das seleções envolvidas na competição, os resultados dos jogos e suas conseqüências mais imediatas.

A seleção brasileira, embalada depois de um quatro a zero no México, na abertura da Copa, no Maracanã, foi até a cidade de São Paulo enfrentar a Suíça, no estádio do Pacaembu. O resultado desse jogo já não foi tão bom. Um empate em dois a dois deixou a torcida brasileira - incluindo aí o “seu” João - muito preocupada. Mas o jogo contra a seleção da Iugoslávia, uns dias depois, no estádio do Maracanã, serviu para devolver a confiança ao time e ao povo brasileiro. Uma vitória por dois a zero classificou o Brasil para a próxima etapa do torneio.

Fanático pelo selecionado brasileiro, João Cândido tentava enquadrar os seus dias, ou as suas horas, de folga aos horários dos jogos do Brasil, com o objetivo de poder acompanhá-los em casa, pelas ondas curtas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, já que na repartição onde trabalhava não era permitido esse tipo de regalia. E assim ficou sabendo que as quatro seleções que se classificaram para a fase final jogariam um quadrangular, o que correspondia a três jogos para cada equipe. O escrete que fizesse o maior número de pontos, dentre os quatro, seria declarado campeão.

Os jogos do Brasil, pela ordem, seriam contra a Suécia, a Espanha e o Uruguai. Era só isto o que interessava. Os arrasadores escores obtidos contra os dois primeiros adversários, sete a um, seguido de um seis a um, com direito a gritos de “olé!” por parte da torcida brasileira no Maracanã, creditaram ao Brasil todo o favoritismo e, ao mesmo tempo, aliviaram a tensão do, cada vez mais feliz, telegrafista. O Uruguai também ganhara da Suécia, mas o empate com a Espanha tirava as suas chances de atrapalhar o Brasil. Bastava então aos brasileiros um simples empate contra o próprio Uruguai.

Muitos anos depois, João Cândido afirmou que na tarde de domingo, 16 de Julho, nem se preocupou em sintonizar o rádio. Lembrou ter visto que o cartaz do cine Avenida, no dia anterior ao jogo, anunciava para as quatro e quinze da tarde de domingo a reprise da comédia “Às Voltas com Fantasmas”, com Abbott e Costello. Foi ao cinema, tranqüilo. Um pouco antes de iniciar a sessão, já dentro da casa de espetáculos, ouviu muitos foguetes a pipocar. Suspirou aliviado e concentrou-se no filme. Provavelmente as demais, onze ou doze, pessoas que se encontravam no local, também fizeram o mesmo. Na saída, sob a tênue luz natural do sol poente, encontrou a rua vazia e silenciosa. Nem foguetes, nem carros, nem gente festejando. Disse ainda que durante, pelo menos, um minuto não compreendeu o que estava acontecendo, e revelou a seguir, com lágrimas nos olhos:

- É como se o tempo tivesse parado e levado todo mundo embora, só esqueceu da gente porque estávamos dentro do cinema.

O povo da pequena cidade onde o “seu” João residia, até hoje diz que o tradicional “um minuto de silêncio”, destinado a homenagens póstumas e adotado pelos árbitros antes do início de todas as partidas oficiais de futebol no Brasil, tem sua origem nesse relato de João Cândido.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

ACADEMIA DE FUTEBOL


De pé: Jair Gonçalves, Leão, Luís Pereira, Alfredo, Dudu e Zeca; agachados: Edu, Leivinha, Ronaldo, Ademir da Guia e Nei.

Na foto acima, uma das formações da Sociedade Esportiva Palmeiras, em 1974. Este time aí foi campeão paulista naquela oportunidade. No mesmo ano, credenciado para ser tri-campeão brasileiro, pois vinha de dois títulos consecutivos [obtidos em 1972 e 1973], teve uma participação p'ra lá de discreta, classificando-se [na sua chave] em 12º lugar, só conseguindo vaga para a segunda fase na "repescagem". E na segunda fase, onde só passava o primeiro lugar de cada grupo, ficou em segundo, dois pontos atrás do Cruzeiro.
O último título de fundamento da chamada Academia [de Futebol] do Parque [Antártica] foi o campeonato paulista de 1976. No ano seguinte, Ademir da Guia, o grande maestro do time e [meu] maior ídolo [em todos os tempos], encerrou a sua carreira e, coincidência ou não, o Palmeiras ficou 17 anos sem ganhar mais nada. Só em 1993... [mas isso é outra história!]

Leivinha- indiscutível craque e goleador da SE Palmeiras
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terça-feira, 2 de junho de 2009

FUGINDO DO PARQUE [SEM OLHAR PARA TRÁS]

1989, 29 (se não me engano) de janeiro. Ao entardecer [mais ou menos 19:30 h, hora local] desse dia a ruta 9, nas proximidades do Parque Santa Teresa [província de Rocha, Uruguay] estava abarrotada de automóveis, acampantes e todos os seus apetrechos. As pessoas aguardavam autorização do SE.PA.E. (Servicio de Parques del Ejército) para retornar ao parque, que ainda se encontrava sob a ação de um incêndio que se iniciara horas antes [perto das 14:00 horas, hora local]. Uma chuva torrencial [entre às 17:00 e 18:00 horas, também hora local] serviu para amenizar os efeitos do fogo que, mesmo assim, não apagou. Este pessoal que está aí esperando para entrar no parque, teve que voltar para casa.
Nós resolvemos não apostar na liberação do parque e, como já tínhamos aproveitado os melhores dias do mês de janeiro, não ficamos para ver o final da história. O chevette azul [que aparece aí, logo à frente], abarrotado, e o fusca verde [do fotógrafo da vez], também abarrotado, seguiram imediatamente para o Chuy/Chuí, e de lá direto para casa.

No dia anterior o nublado do céu já dava a entender que ia ter chuva, mas ninguém imaginava que essa serviria para aliviar os efeitos do incêndio supracitado, o qual, ouvi dizer, teve origem com a explosão de, pelo menos, um botijão de gás em um acampamento na Playa del Barco, uns poucos quilômetros adiante de onde nós estávamos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

UMA "VIAGEM" PARA REFLETIR

Uma aula muito monótona [no colégio ou na faculdade] é capaz de inspirar "vôos" monumentais dos alunos. O resultado pode vir em forma de anotações diversas, na maior parte das vezes, escritas na última folha de um caderno qualquer, de uma disciplina qualquer. Muitos anos depois o(a) "escritor/escritora" [ou um terceiro] encontra, ao acaso, o produto da "viagem".

Abaixo, um exemplo do que aconteceu comigo há muito tempo.


Cuentan de un sabio que un día

tan pobre y mísero estaba
que sólo se sustentaba
de unas hierbas que cogía.
¿Habrá otro, entre sí decía,
más pobre y mísero que yo?
Y cuando el rostro volvió
halló la respuesta, viendo
que otro sabio iba cogiendo
las hierbas que él arrojó.


Quejoso de la fortuna
yo en este mundo vivía
y cuando entre mí decía:
¿Habrá otra persona alguna
de suerte mas inoportuna?
Piadoso me has respondido,
pues, volviendo a mi sentido
hallo que las penas mías
para hacerlas tú alegrías
las hubieras recogido.


Fragmento da obra teatral do dramaturgo e poeta Pedro Calderón de la Barca, La Vida Es Sueño, concebida durante a primeira metade do século XVII.

EL TREN ELECTRICO

Um velho conhecido meu sempre diz: "Chiste que é chiste tem que ser em espanhol". Então quando ele manda alguma coisa desse tipo, o texto é obrigatoriamente em espanhol, como aparece abaixo.



Una madre estaba trabajando en la cocina mientras escuchaba jugar a su hijo en la sala con su tren eléctrico nuevo.
Escucha que el tren se detiene y su hijo dice:

- "A Todos los hijos de puta que quieran bajarse, háganlo ahora porque esta es la ultima parada!;
Y todos los hijos de puta que van de regreso y se quieran montar, metan sus culos dentro del tren ahora porque vamos a partir ya!!".

La madre entró a la sala y le dijo a su hijo:´

- "Nosotros no usamos esa clase de vocabulario en esta casa. Ahora ve a tu cuarto y te quedas allí durante DOS HORAS. Cuando salgas, puedes regresar a jugar con tu tren, por supuesto usando un vocabulario agradable y decente!."

Dos horas mas tarde, el niño sale de su cuarto y comienza a jugar de nuevo con su tren. Pronto el tren se detiene y la madre escucha a su hijo decir:

- "Todos los pasajeros que vayan a desembarcar del tren, por favor recuerden llevarse todos sus objetos personales consigo. Les agradecemos haber viajado con nosotros el día de hoy y esperamos que el viaje haya sido placentero. Esperamos que viajen de nuevo con nosotros en una próxima oportunidad".
Luego, el niño prosigue:

- "Para aquellos que estén embarcando, les pedimos que coloquen todas sus cosas debajo de sus asientos. Recuerden que está prohibido fumar dentro del tren. Esperamos que tengan un viaje relajado y placentero con nosotros el día de hoy".
Entonces, el niño agrega:

- "Ah, Y para aquellos que estén cabreados por la demora de DOS HORAS, reclámenle a la puta esa que está en la cocina!".


Colaboração: Werner Beck

O BOM, O MAU E O FEIO

Três bandoleiros ajudam-se e, ao mesmo tempo, enganam-se mutuamente, tentando se apossar de uma fortuna de dólares em ouro, durante a Guerra Civil Americana. É que um bandido chamado Tuco- O Feio- (Eli Wallach) fica sabendo de algo sobre um grande tesouro enterrado em um cemitério, só que não sabe em qual túmulo. Quem sabe é "Blondie"- O Bom- (Clint Eastwood), um antigo conhecido [e inimigo] seu. Então, Tuco tem de se aliar a "Blondie" para chegar ao dinheiro. Porém eles não são os únicos que sabem da existência do tesouro. Outro cara, um violento oficial do exército, chamado "Olhos de Anjo"- o Mau- (Lee Van Cleef), também está atrás dele. E nenhum desses hábeis pistoleiros pensa em desistir do que é "seu".


Esse é o terceiro filme da série dirigida por Sergio Leone que teve Clint Eastwood no papel principal. Os outros dois foram Por um Punhado de Dólares, em 1964 e Por uns Dólares a Mais, em 1965.



A trilha sonora é de Ennio Morricone. O título no Brasil é O Bom, o Mau e o Feio, do original italiano Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo. O filme, lançado em 1966, dura em torno de 160 minutos e, para quem gosta de western do tipo spaghetti, eu recomendo, com pipoca e com [ou sem] companhia.


Site Oficial: O BOM, O MAU E O FEIO

EM TEMPOS DE CAMPANHA POLÍTICA

  Em tempos de campanha política as esposas dos candidatos a Governador do Estado de São Paulo também resolveram participar, conforme os reg...